Voto Católico – Desafie seu candidato

Inicialmente gostaria de fazer antes de você começar a ler algumas considerações para evitar debates apaixonados sobre o texto:

1 – O título de eleitor é seu. Voto não tem preço tem consequência.

2 – Se você for Católico(a), você tem o dever de realizar uma análise baseada em valores cristãos, sempre se pautando no bem comum;

3 – Se você é Católico(a), você tem o dever de defender a si, a sua família e todos aqueles outros inocentes que seu ato (voto) pode condenar a morte e/ou ser perseguido (seja de que crença for).

4 – Como Cristão(ã), você não pode se omitir. Lembre-se quem puxará a fila para o inferno são os covardes (Cf Ap. 21, 8).

5 – Política não é “coisa ruim”, quem pensa assim se deixa governar pelos reais “coisas ruins”.

6 – Vote em alguém que você saiba que fará o melhor para todos e seguirá os seus princípios, aquele que agirá como se fosse você, um autêntico representante na fé e na política.

Então realizadas as devidas considerações iniciais, vamos lá.

É sempre bom lembrar que você é absolutamente livre para votar em quem quiser, seja voto de protesto ou voto ideológico, voto em branco, na legenda… O título de eleitor é seu. Mas é meu dever informar que essa liberdade pode – e geralmente traz – consequências terríveis.

Ensina-nos a Igreja que: É plenamente conforme com a natureza do homem que se encontrem estruturas jurídico-políticas nas quais todos os cidadãos tenham a possibilidade efetiva de participar livre e ativamente, dum modo cada vez mais perfeito e sem qualquer discriminação, tanto no estabelecimento das bases jurídicas da comunidade política, como na gestão da coisa pública e na determinação do campo e fim das várias instituições e na escolha dos governantes. Todos os cidadãos se lembrem, portanto, do direito e simultâneamente do dever que têm de fazer uso do seu voto livre em vista da promoção do bem comum. A Igreja louva e aprecia o trabalho de quantos se dedicam ao bem da nação e tomam sobre si o peso de tal cargo, em serviço dos homens.[1]

Assim, temos que ter plena consciência que temos que participar ativamente da vida política e que temos que enquanto Cristãos darmos os exemplos e trabalharmos para o bem comum.

Lembro-me muito bem que durante as manifestações de Julho de 2013, haviam muitos gritos de “Fora (nome da Presidente, Governador e Prefeito)”, mas agora estamos às vésperas do primeiro pleito após a tentativa frustrada de “primavera da chiquita bacana” e muitos serão reeleitos e/ou vão eleger seus indicados. Houve mudança? A meu ver o quadro político continua rigorosamente o mesmo. Repare bem ao seu redor. Houve a criação de um novo partido com as reinvindicações das ruas? Não. Seriam as reivindicações das ruas legítimas? Claro que sim. Mas qual o motivo de não terem obtido êxito? Muito simples, demonizaram a forma (política) e o instrumento (o político) juntos. O mais espantoso desse fenômeno pós “primavera da chiquita bacana” é que velhos políticos e partidos se apresentam agora como legítimos representantes da “voz das ruas”. Vai entender…

A política está em todos os nossos relacionamentos sociais e existe a necessidade de que por vias políticas sejam discutidas os instrumentos do bem comum. Entretanto, junto com a política foi satanizado o político, esse sim é o protagonista do nosso circo dos horrores, ele sim é o responsável pelo grave desvio de finalidade que a ação pública vem tomando no país que entre um “esquecimento” e um “mal feito” faz com que o eleitor seja desencorajado a ir a urna, urna aliás também já questionada…. É… Não tá fácil pra ninguém.

Conforme falei acima. Existe a necessidade para o Católico (a) de verificar alguns requisitos do candidato e do partido que muito bem foi exposto pelo Leste 1 da CNBB por meio de uma cartilha elaborada pelos Bispos que coloca aqui na íntegra:

“Dom Roberto Francisco Ferreria Paz

Bispo de Campos (RJ)

Os Bispos do Estado do Rio de Janeiro e a Pastoral Fé e Política do Regional Leste 1, prepararam esta cartilha cívica contendo recomendações para os eleitores das próximas eleições do presente ano. Configura numa lista de 10 critérios, são eles:

  1. Votar é um exercício importante de cidadania, por isso, não deixe de participar das eleições. Seu voto contribui para definir a vida política de nosso pais.
  2. Verifique se os candidatos estão comprometidos com a superação da pobreza, com a educação, saúde, moradia, saneamento básico, respeito à criação e ao meio ambiente.
  3. Veja se seus candidatos estão comprometidos com a justiça, segurança, combate a violência, dignidade da pessoa, respeito pleno pela vida humana desde a sua concepção até a morte natural.
  4. Observe se os candidatos representam o interesse apenas de seu grupo ou partido e se pretendem promover políticas que beneficiam a todos. O bom governante governa para todos.
  5. Dê o seu voto apenas a candidatos com “ficha limpa”. O homem público deve ter honestidade (idoneidade moral).
  6. Fique atento à prática de corrupção eleitoral, ao abuso de poder econômico, à compra de votos. Voto não é mercadoria.
  7. Procure conhecer os candidatos, sua conduta, suas idéias e seus partidos. Voto não é troca de favores.
  8. Vote em candidatos que respeitem a liberdade religiosa e de consciência, garantindo o ensino religioso confessional e plural.
  9. Escolha candidatos que promovam e defendam a família, segundo sua identidade natural conforme o plano de Deus.
  10. Acompanhe os políticos depois das eleições, para cobrar deles o cumprimento das promessas de campanha e apoiar suas opções políticas e administrativas.

Para terminar reflitam esta frase do Papa Francisco: “É muito, difícil que um corrupto consiga voltar atrás”. Vote certo, vote bem, somos responsáveis pelo futuro de nossa pátria. Não esqueça que seu voto terá conseqüências, um novo mundo e uma nova sociedade ou a mesmice da corrupção e do terror e insegurança diários.” Deus seja louvado!” [2]

Concordo com todos os itens e é dever também meu divulgar tal iniciativa.

Mas agora de tratar de maneira específica o item 3. Repito:

  1. Veja se seus candidatos estão comprometidos com a justiça, segurança, combate a violência, dignidade da pessoa, respeito pleno pela vida humana desde a sua concepção até a morte natural.

Até aqui poderíamos estar tratando o assunto como verificação pessoal do candidato. Certo? Sim.

Mas e quando o partido tem como projeto a “defesa da autodeterminação das mulheres, da discriminalização do aborto e regulamentação do atendimento à todos os casos no serviço público evitando assim a gravidez não desejada e a morte de centenas de mulheres, na sua maioria pobres e negras, em decorrência do aborto clandestino e da falta de responsabilidade do Estado no atendimento adequado às mulheres que assim optarem.”[3]

Sim, o que fazer quando o PROJETO DO PARTIDO é fazer com que o ABORTO (assassinato de uma criança no ventre da mãe) seja encarado como MÉTODO CONTRACEPTIVO e MEIO DE CONTROLE DE NATALIDADE A QUALQUER TEMPO. Transformando pelo engodo da “benevolência” de que se trata de combate de violência contra a mulher.

Bem, se o objetivo é proteger a mulher, qual o motivo de não se investir nos métodos contraceptivos naturais (como o MOB que tem 98% podendo chagar a 99% (método duro)[4] de eficácia contra 97% da camisinha, por exemplo[5]) e gratuitos é incentivada a realizar a morte de uma criança completamente saudável?

Assim, podemos dizer (conforme documento do próprio partido dos trabalhadores – PT), que é conteúdo programático do PT a descriminilização do aborto, sendo essa passado a ser financiado com dinheiro público, conforme já tentou fazer o partido[6].

Mas seria o PT o único partido a fazer essa proposta? Não.

O Partido Comunista Brasileiro (PCB), estabelece em seu plano Construindo o Poder Popular, por um Brasil socialista[7] a garantia ao Direito do Aborto.

O PPS além de se definir como socialista (Estatudo item 2[8]) defendeu através de sua posição favorável a morte de crianças na Carta Aberta sobre o aborto[9].

O PCdoB também comunista (que coisa não?) defende em seu estatuto que as decisões após tomadas e referendadas pela cúpula terão validade para todo o partido. (Art. 25, § 2º[10]) e adivinhem o que eles defenderam em uma conferência para mulheres? O aborto é claro! (Página 44, item K[11])

O PCO (Partido da Causa Operária) não só defende o aborto (Item X, n.° 11[12]) como pune com expulsão o filiado que não atentar para o conceúdo programático do partido (Art. 30, §3, a[13])

O PDT já afirma que “… temos que continuar lutando para que se efetive a descriminalização do aborto, pois só as mulheres pobres serão banidas por sua prática, já que as com melhores condições podem fazê-lo sem necessidade do aparato estatal. A saúde integral é uma luta de todos nós e o aborto não é uma questão de polícia e sim de saúde pública”[14].

Já o PSOL, partido queridinho dos estudantes da rede pública de ensino superior, que tem por objetivo a construção de uma sociedade socialista e libertária. O partido que jura que é o pai da primeira “primavera/micareta” que aconteceu no país em Junho de 2013, mas não assumiu seus filhos talvez por serem “blacks”, na minha opinião puro preconceito racial…. Enfim…. Vem defendendo o aborto (com a mesma temática do PT). Em sua conjuntura Nacional onde diz que tem como objetivo: “Entendemos que as lutas contra as opressões são centrais para a construção de uma nova sociedade. É tarefa do PSOL combater a homofobia, lutando por sua criminalização através da aprovação do PLC122 e a expulsão do deputado Marco Feliciano, expressão do conservadorismo, da presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara; barrar o estatuto do nascituro e sua “bolsa estupro”, defendendo a autonomia das mulheres sobre seus corpos e os direitos sexuais e reprodutivos; defender a laicidade do Estado, nos posicionando contra a PEC99/11, que confere às instituições religiosas o poder de questionar leis na STF. Combater também a repressão policial que humilha e assassina a juventude negra e periférica, os Amarildos de todo o Brasil. Devemos nos engajar em campanhas pela desmilitarização da Polícia Militar, e em favor de cotas raciais e sociais nas universidades públicas.”[15]

Interessante frisar ainda sobre o “PT com barba, camisa do “tche” e havaiana” que quando da saída da Ex-Senadora Heloísa Helena (fundadora do PSOL) ela declarou: “Eles me obrigaram a defender o aborto, e vi que não era mais o partido que fundei”[16]. Liberdade… Sei… Me engana que eu gosto…

Essa liberdade o PT já disse que tinha, mas quando dois deputados (hoje ex) decidiram se manifestar contra o Aborto, foram punidos com expulsão.[17]

Conforme vimos alguns exemplos de partidos políticos que estão completamente enraizados comunismo/socialismo que faz do Homem apenas um elemento social, não um ser criado e amado por Deus. E esse pensamento traz consequências terríveis em diversos aspectos, que aqui só quero destacar um: A prática sistemática da morte de crianças como método conceptivo.

Esse tema já foi bastante tratado pelos documentos da Igreja, o qual quero destacar um, escrito por São João Paulo II, o Papa das famílias: “Aprofundando agora a reflexão delineada, e fazendo ainda referência ao que foi dito nas Encíclicas Laborem exercens e Sollicitudo rei socialis, é preciso acrescentar que o erro fundamental do socialismo é de carácter antropológico. De facto, ele considera cada homem simplesmente como um elemento e uma molécula do organismo social, de tal modo que o bem do indivíduo aparece totalmente subordinado ao funcionamento do mecanismo económico-social, enquanto, por outro lado, defende que esse mesmo bem se pode realizar prescindindo da livre opção, da sua única e exclusiva decisão responsável em face do bem ou do mal. O homem é reduzido a uma série de relações sociais, e desaparece o conceito de pessoa como sujeito autónomo de decisão moral, que constrói, através dessa decisão, o ordenamento social. Desta errada concepção da pessoa, deriva a distorção do direito, que define o âmbito do exercício da liberdade, bem como a oposição à propriedade privada. O homem, de facto, privado de algo que possa «dizer seu» e da possibilidade de ganhar com que viver por sua iniciativa, acaba por depender da máquina social e daqueles que a controlam, o que lhe torna muito mais difícil reconhecer a sua dignidade de pessoa e impede o caminho para a constituição de uma autêntica comunidade humana.

Pelo contrário, da concepção cristã da pessoa segue-se necessariamente uma justa visão da sociedade. Segundo a Rerum novarum e toda a doutrina social da Igreja, a sociabilidade do homem não se esgota no Estado, mas realiza-se em diversos aglomerados intermédios, desde a família até aos grupos económicos, sociais, políticos e culturais, os quais, provenientes da própria natureza humana, estão dotados — subordinando-se sempre ao bem comum — da sua própria autonomia. É o que designei de «subjectividade» da sociedade, que foi anulada pelo «socialismo real».[18]

Conforme vimos, a doutrina da Igreja enxerga o Homem completo, não como um substrato social, assim a análise social falsa impede de enxergarmos o óbvio. O aborto é de fato um assassinato pois nele morre uma pessoa (no mínimo).

Agora eu pergunto a você, caro amigo(a). Seu pároco, Bispo ou comunidade tem feito campanha para algum político das siglas acima dentro de sua paróquia ou diocese?

Faço uma proposta. Faça a ele as seguintes perguntas:

  • Qual é sua opinião sobre o aborto de crianças em plena condição de nascerem vivas?
  • Qual a posição do seu partido?
  • Você pode contrariar seu partido?
  • Contrariar a determinação partidária resulta em alguma punição?
  • Essa poderia ser a perda do mandato ou a expulsão?
  • Estaria disposto a sofrer estas punições para defender a vida?
  • Poderia se comprometer PUBLICAMENTE antes do pleito DE PREFERÊNCIA POR ESCRITO ou em VÍDEO?
  • Se comprometeria em políticas públicas para a promoção da vida, promovendo métodos contraceptivos naturais como o Método Billings e outros ensinando as pessoas o valor da vida e responsabilidade da vida de uma criança?
  • Se compromete em levar essa discussão para o partido para todos possam apoiar os métodos naturais?

Por favor, se algum candidato fizer isso (dos partidos citados ou não) nos envie que publicaremos aqui.

 

Maria Regina Caeli intercedenti

Referências.

1 – Gaudium et spes – n.° 75 – http://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_const_19651207_gaudium-et-spes_po.html

2 – http://www.cnbb.org.br/artigos-dos-bispos-1/dom-roberto-francisco-ferreria-paz-1/14826-cartilha-para-o-eleitor-2014

3 – Área “Por um Brasil de homens e mulheres iguais –  https://www.pt.org.br/wp-content/uploads/2014/03/Resolucoesdo3oCongressoPT.pdf

4 – http://vida.aaldeia.net/metodo-muco-cervical-billings/

5 – http://www.boasaude.com.br/artigos-de-saude/4461/-1/05-qual-e-a-eficacia-dos-preservativos.html

6 – http://oglobo.globo.com/sociedade/saude/ministerio-da-saude-revoga-portaria-que-definia-valor-de-aborto-terapeutico-no-sus-12651190

7 – https://docs.google.com/file/d/0B9OkSrCIvhFlWVh0eDM4dmlUQTk0M2tvLTFKVW9hZTlPbnFB/edit

8 – http://www.justicaeleitoral.jus.br/arquivos/tse-estatuto-do-partido-pps-de-16-12-2013-aprovado-em-11-6-2014

9 – http://mulheres.pps.org.br/helper/show/147865#

10 – http://admin.paginaoficial1.tempsite.ws/admin/arquivos/documentos/comite_central/estatuto_do_partido_comunista_do_brasil_-_pcdob/estatuto_pcdob.pdf

11 – http://admin.paginaoficial1.tempsite.ws/admin/arquivos/biblioteca/2a._conferencia_-_resolucoes36135.pdf

12 – http://www.pco.org.br/pco/programa.htm

13 – http://www.pco.org.br/pco/estatuto.htm

14 – http://www.pdt.org.br/mulher/?page_id=50#body-part

15 – http://www.psol50.org.br/site/noticias/2541/conjuntura-nacional—resolucao-aprovada-no-4a-congresso-nacional-do-psol

16 – http://www.pragmatismopolitico.com.br/2012/09/heloisa-helena-abandona-psol-desabafa-me-obrigaram-defender-aborto.html

17 – http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/pt-usa-o-codigo-de-etica-e-pune-dois-parlamentares-seus-com-raro-rigor-o-que-foi-que-eles-fizeram/

18 – Centesimus annus – 13 – http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/encyclicals/documents/hf_jp-ii_enc_01051991_centesimus-annus_po.html

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