Lectio Divina – Quarto Domigo da Quaresma : Laetare

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Alegra-te, Jerusalém”! Reuni-vos, vós todos que a amais; vós que estais tristes, exultai de alegria! Saciai-vos com a abundância de suas consolações (Is 66,10s)

Cada Santa Missa é identificada, com precisão, de acordo com a posição que ocupa no calendário litúrgico. Assim, ao assistirmos ao sacrifício, sabemos que aquela Liturgia é, por exemplo, a da Quinta-feira da 27ª Semana do Tempo Comum; ou então, a do Primeiro Domingo da Quaresma; ou a da Solenidade de Pentecostes; e assim por diante.

Algumas Missas, além de trazerem esta identificação, receberam da tradição um nome adicional que poderíamos até entender com certo “apelido”. Não são muitas.

Dois desses casos muito conhecidos ocorrem um no Advento e o outro na Quaresma. Estes dois tempos litúrgicos são penitenciais, cada um com suas peculiaridades. Entretanto, o penúltimo Domingo de cada um destes tempos é um pouco menos penitencial, com certos aspectos que nos vêm lembrar que a alegria está chegando (o Natal, num caso, e a Páscoa da Ressurreição, no outro).

Portanto, dos quatro Domingos do Advento, o terceiro é esse Domingo de certa alegria: chama-se Domingo Gaudete – porque gaudete é a primeira palavra do Introito.

Dos cinco Domingos da Quaresma, o quarto é que antecipa um pouco o júbilo: chama-se Domingo Laetare – porque seu Introito começa com a palavra laetare.

O texto é conforme Is 66, 10-11conforme já citado acima: “alegrai-vos, Jerusalém, reuni-vos, todos que a amais; regozijai-vos com alegria, vós que estivestes na tristeza; exultai e sereis saciados com a consolação que flui de seu seio”.

Mas voltemos ao contexto trazido a nós pelas leituras desse domingo e nos fixarmos no que seja de fato essa alegria que o dia de hoje nos convida a meditar. Mesmo sabendo ser a alegria uma característica muito própria do cristão, a Igreja não cessa de nos recordar neste tempo litúrgico que nunca devemos perdê-la de vista, mesmo sendo esse um tempo voltado à penitência.

Há uma alegria que sobressai na esperança do Advento, outra viva e radiante no tempo de Natal; mais tarde, a alegria de estar com Cristo ressuscitado; e hoje, já avançada a Quaresma, meditamos na alegria da Cruz. É sempre o mesmo júbilo de estar com Cristo: “Somente d’Ele é que cada um de nós pode dizer com plena verdade, juntamente com São Paulo: ”Amou-me e entregou-se por mim” (Gal 2, 20)”. Daí deve partir a nossa alegria e nossa força. Se, por desgraça, encontramos amarguras, padecimentos, sofrimentos, experimentamos incompreensões e até caímos em pecado, que nosso pensamento se dirija rapidamente para Jesus na cruz que nos ama sempre e que, com o seu amor ilimitado, faz vencer todas as provas, preenche todos os nossos vazios, perdoa todos os nossos pecados e nos impele com entusiasmo para um caminho novamente seguro e alegre.

É preciso compreender que a Igreja quer recordar-nos assim que a alegria é perfeitamente compatível com a mortificação e a dor. O que se opõe à alegria é a tristeza, não a penitência. Vivendo com profundidade este tempo litúrgico que conduz à Paixão e, portanto à dor, compreendemos que aproximar-se da Cruz significa também aproximar-se do momento da Redenção, e por isso a Igreja e cada um dos seus filhos se enchem de profunda alegria.

Está se aproximando a Semana Santa e a Páscoa, portanto, o perdão, a misericórdia, a compaixão divina, a superabundância da graça. Mais uns dias, e se consumará o mistério da nossa salvação. Se alguma vez tivemos medo da penitência, da expiação, enchamos nosso coração de coragem, lembremo-nos de que o tempo é breve e grande a graça, sem medidas a proporção com a pequenez do nosso esforço. Sigamos Jesus com alegria, até Jerusalém, até o Calvário, até a Cruz. Além disso, “não é verdade que, mal deixas de ter medo à Cruz, a isso que a gente chama de cruz, quando pões a tua vontade em aceitar a Vontade divina, és feliz, e passam todas as preocupações, os sofrimentos físicos ou morais? assim perguntava São José Maria Escrivá”.

Esse é também um tempo propício para fazermos um exame de consciência, de ver em nós quais são os verdadeiros motivos de nossa alegria. Se ela está enraizada nas coisas materiais, nas pessoas ou situações, ou se ela tem consistência na pessoa de Jesus.

Às vezes caímos numa certa murmuração relacionada as coisas e a tudo o que nos circunda e esquecemos que muita das vezes a ordem das “coisas” se encontram  ao contrário, de pés virados, tudo bagunçado, principalmente nosso interior que não sabe mais – como diz o ditado – dar nome aos bois e se misturam gerando confusão de sentimentos e afetos, assim nos tornamos incapazes de sorrir, de expressar verdadeira alegria quando se é preciso.

Não percamos jamais a esperança, pois como o evangelho nos alerta: “Deus não enviou o Filho ao mundo para condená-lo, mas para que o mundo seja salvo por ele” (  Jo, 3, 17), pois “ Deus, que é rico em misericórdia, impulsionado pelo grande amor com que nos amou, quando estávamos mortos em consequência de nossos pecados, deu-nos a vida juntamente com Cristo – é por graça que fostes salvos!, juntamente com ele nos ressuscitou e nos fez assentar nos céus, com Cristo Jesus” ( Ef 2, 4-6). Essa verdade deveria fazer-nos rejubilar em santa alegria durante o ano todo!

Alegra-te Jerusalém, alegra-te Igreja de Deus, santa e católica, Teu Deus não é um deus de mortos, mas da vida e VIDA ETERNA, então, ALEGRA-TE hoje, amanhã e sempre!

Que a Virgem do sorriso esteja junto a nós nesse caminho, neste vale de lágrimas, nos ensinando essa verdadeira alegria, aquela que brota do amor doado, crucificado por amor.

 Laus Deo In Aeternum

Walter Silva

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