Lectio Divina – 2º Domingo da Quaresma

Os planos de Deus nem sempre são os nossos. E, não foi diferente com os apóstolos quando, na caminhada para Jerusalém, foram surpreendidos com o primeiro anúncio da Paixão abalando profundamente a sua fé.

Para fortalecer a fé, nosso Senhor, tomou três deles e os levou a um monte. Lá se transfigurou. Foi verdadeiramente um “espetáculo” o que houve naquele lugar, tanto que Pedro, não se importando com os outros nove, queria por ali ficar para sempre: “Mestre é bom estarmos aqui, façamos três tendas” e mais, nem preocupou consigo mesmo não se preocupando que ficaria ao relento sem se cobrir a cabeça com tendas. Pedro quer prolongar a situação! O que é bom, o que importa, não é estar aqui ou ali, mas estar sempre com Cristo, em qualquer parte, e vê-Lo por trás das circunstâncias em que nos encontramos. Se estamos com Ele, tanto faz que estejamos rodeados dos maiores consolos do mundo ou prostrados na cama de um hospital, padecendo dores terríveis. O que importa é somente isto: Vê-Lo e viver sempre com Ele! Esta é a única coisa verdadeiramente boa e importante na vida presente e na outra. Desejo ver-Te, Senhor, e procurarei o Teu rosto nas circunstâncias habituais da minha vida!

Na nossa caminhada para Páscoa precisamos também subir ao monte com Jesus e estes três discípulos para vivermos a alegria da comunhão com Deus. As dificuldades não podem nos desanimar precisamos sempre ter em nossos ouvidos a exclamação do Pai: “Eis o meu Filho amado, escutai-O”. E Deus Pai fala através de Jesus Cristo a todos os homens de todos os tempos. A sua voz faz-se ouvir em todas as épocas, sobretudo através dos ensinamentos da Igreja…

Não desanimemos diante das dificuldades! Os Planos de Deus não conduzem ao fracasso, mas à Ressurreição, à vida definitiva, à felicidade sem fim!

Um dos maiores papas da história, São Leão Magno, diz que “o fim principal da transfiguração foi desterrar das almas dos discípulos o escândalo da Cruz”. Os Apóstolos jamais esquecerão esta “gota de mel” que Jesus lhes oferecia no meio da sua amargura. Jesus sempre atua assim com os que o seguem. No meio dos maiores padecimentos, dá-lhes o consolo necessário para continuarem a caminhar.

Nós devemos ter Jesus na nossa vida cotidiana, no meio do trabalho, na rua, nos que nos rodeiam, na oração, quando nos perdoa no Sacramento da Penitência, e, sobretudo na Sagrada Escritura, onde se encontra verdadeira, real e substancialmente presente. Devemos aprender a descobri-Lo nas coisas ordinárias, fugindo da tentação de desejar o extraordinário.

Não podemos ficar no Monte de braços cruzados, os seguidores de Cristo devem descer do monte para enfrentar o mundo e os problemas. Cada domingo, ao participar da Santa Missa, subimos a Montanha, para contemplar o Cristo transfigurado (ressuscitado) e escutar a sua voz.

Depois, ao descer a Montanha (sair da Igreja) devemos prosseguir a nossa caminhada, sendo sal da Terra e luz do mundo.

Por Helder Rodrigues

 

Leituras:
Gn 22,1-2.9a.10-13.15-18
Sl 115
Rm 8,31b-34
Mc 9,2-10

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