A Investidura de Pedro

Livro:  St. Peter, his name and his office : as set forth in holy scripture (Cap III)

Autores:  Allies, T. W. (Thomas William), 1813-1903; Passaglia, Carlo, 1812-1887. 

Publicado em: 1852

Tradutor: Jonadabe Rios

[Comentários]: Jonadabe Rios

 

            Nosso Senhor tem até então, enquanto ainda sobre a terra[1], regido como sua cabeça visível este corpo de discípulos que Ele escolheu do mundo, e que Seu Pai lhe deu. E este corpo Ele chamou desde logo de Igreja na famosa profecia[2] na qual Ele nomeou a pessoa que, em virtude de uma intima associação com Ele próprio, a Rocha, seria sua fundação, e que duraria até a consumação dos séculos, Ele pronunciou ao mesmo tempo, a despeito de toda a raiva contra ela nos “maldade espiritual nos lugares altos”, pois ela seria fundada sobre a rocha que Ele estabeleceria.

            Em segundo lugar, Ele teve, no primeiro período de Seu ministério quando Ele passou a conhecer, no segundo ano, e selecionar o restante de Seus discípulos, após subir a uma montanha e passar a noite em oração, escolhendo os doze aos quais chamou Apóstolos – tanto antes quanto acima de tudo enviados por Ele  – pois “e chamou os que ele quis. E foram a ele.” Aos quais “Conferiu-lhes o poder de expulsar os espíritos imundos e de curar todo mal e toda enfermidade.”, que também escolheu “para estar com Ele”, seus servos pessoais, “e para enviá-los a pregar”; aos quais, ademais, Ele subsequentemente fez a promessa de que tudo que eles ligarem sobre a terra seria ligado no céu, e o que desligassem na terra, seria desligado no céu[3].

            Em terceiro lugar, em certo tempo de Seu ministério, no segundo ano, Ele selecionou doze para estarem mais próximos à Sua pessoa que o restante de Seus discípulos, assim em outro momento, já no terceiro ano de Seu ministério, Ele separo um dos doze, a quem, desde o primeiro instante, e antes de qualquer outro, tinha sido chamado para ser um Apóstolo, ou, até mesmo, como parece, um discípulo, a quem deu um nome profético; a quem, por palavras e por ações, em correspondência com este nome, Ele designou para ser a futura rocha de Sua Igreja, o Portador das chaves, que abria ou fechava a entrada para Sua Santa Cidade mística, para ser dotado com o poder individual de ligar e desligar; e a quem, finalmente, na véspera de ser tirado de Seus discípulos, foi apontado como o futuro “Primeiro”, “Maior” ou “Governante” entre eles, tendo, como tal, sido dado a ele a responsabilidade especial e singular de, após a partida do Cabeça, “confirmar seus irmãos”.

            Está claro que isto era tudo que, antes de oferecer a Si mesmo pelos pecados do mundo, e da retirada de Sua presença visível em seguida, Ele poderia fazer para o governo de Sua Igreja. Enquanto Ele ainda estava aqui, o Filho do Homem entre os homens, visto e tocado, a sagrada voz em seus ouvidos, e os divinos olhos vendo-os corporalmente, Ele não era somente a fonte de toda liderança e governo, mas Ele exercia em Sua própria pessoa as mais altas funções desta liderança e deste governo. Ele diariamente encorajava, exortava, corrigia, ensinava e os unia; em resumo, para usar Suas próprias palavras, enquanto Ele estava com eles, os guardava no nome de Seu Pai[4].

            Mas agora é outro tempo, e outros perigos estavam se aproximando. A espada que “feriria o Pastor” fora desembainhada, e havia o receio das ovelhas “estarem dispersas” não somente por um momento, mas para sempre. Para cumprir com o cuidado de Divino Guardião seria necessário uma disposição adicional dos poderes que Ele recebeu em Sua ressurreição dos mortos. Pois, doravante, Suas visitas, como a de um Rei que ressurgira, seriam poucas e repentinas, quando Ele desejava, e nos momentos em que eles não esperavam, “aparecendo por quarenta dias a eles e falando sobre o reino de Deus”, e, assim que suas injunções finais foram finalmente dadas, “os céus o receberam até a restauração de todas as coisas”. Os Apóstolos não podiam mais “estar com Ele” como antes, nem Ele “estar visível” como nos dias de Sua carne.

            Como, então, Ele completa a hierarquia ministerial que surge de Sua própria Divina Pessoa sobre a terra, e que deve reger Sua Igreja e representar esta pessoa desde Sua primeira até Sua segunda vinda?

            Agora, primeiro, devemos acentuar, que enquanto grande cuidado é tomado para fazer conhecido a todos os Apóstolos a ressurreição do Senhor, ainda uma solicitude especial é mostrada a respeito daquele que seria o “Governante”. Assim, os anjos, anunciando o fato aos santos homens no sepulcro, “ele ressuscitou, Ele não está aqui, contemplai o lugar onde o deixaram”, acrescenta, “vão, dizei aos Seus discípulos e a Pedro, que Ele os espera na Galileia”[5]. Esta expressão indica seu lugar superior, como quando Pedro, ele mesmo entregue à prisão, relatou aos discípulos na casa de Marcos como escapou, e acrescentou, “Dizei estas coisas a Tiago e aos irmãos”, onde ninguém deixa de ver a preeminência de Tiago por tal menção dele, visto ser este Apóstolo o Bispo de Jerusalém e estar sobre os irmãos, que, com ele mesmo, era um daqueles que “pareciam ser pilares”. Mais uma vez, a Pedro nosso Senhor apareceu primeiro entre os Apóstolos. São Paulo, exibindo uma espécie de resumo da doutrina cristã, diz: “o Evangelho que vos ensinei”, começa, “Eu vos transmiti primeiramente o que eu mesmo havia recebido: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; foi sepultado, e ressurgiu ao terceiro dia, segundo as Escrituras; apareceu a Cefas, e em seguida aos Doze.” [INTERESSANTE QUE ESTA ARGUMENTAÇÃO A RESPEITO DA RESSURREIÇÃO, DO QUE É UM DOS CREDOS ANTIQUÍSSIMOS, DATADO JÁ DA ÉPOCA DE ATOS PELOS HISTORIADORES, CHAMA PEDRO DE CEFAS, PELO NOME DE PEDRA. NENHUM JUDEU IGNORARIA O SIGNIFICADO DESTE NOME. ELES SABIAM SE TRATAR DA ROCHA]. Para ele sozinho e então ele junto com os outros. E mais adiante as palavras de São Paulo parecem expressar uma espécie de lista decrescente: “Depois apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma vez, dos quais a maior parte ainda vive (e alguns já são mortos); depois apareceu a Tiago, em seguida a todos os apóstolos. E, por último de todos, apareceu também a mim, como a um abortivo. Porque eu sou o menor dos apóstolos […]”[6]. E enquanto eles ainda duvidavam, e não podiam receber a maravilhosa notícia que lhes fora trazida pelas mulheres, assim que Nosso Senhor apareceu a Pedro a hesitação deles foi removida, e os doze discípulos voltaram de Emaús – eles próprios plenos por sua maravilhosa conversa com Ele: “Todos diziam: O Senhor ressuscitou verdadeiramente e apareceu a Simão”, como a Igreja em sua exultação repete, onde os filólogos nos dizem que a palavra grega e ostenta constantemente o significado Hebraico, e significa “pois”, como se a dúvida não pudesse segurar por mais tempo a sua felicidade, quanto Pedro veio como uma testemunha disso. [É UMA EXPRESSÃO IDIOMÁTICA MAIS UM BELO EXEMPLO DE COMO E QUANDO USAR UMA PALAVRA NO GREGO. A INTERPRETAÇÃO FICA EM ABERTO. NAS ESCRITURAS NADA ESTÁ POR ACASO. É COMO SE FOSSE: NOSSO SENHOR RESSUSCITOU VERDADEIRAMENTE E APARECEU PARA SIMÃO E SABEMOS DISSO PORQUE APARECEU A SIMÃO]

            Estas são indicações de superioridade, fracas em si mesmas se estivessem sozinhas, mas grandes como testemunho tácito de um fato apoiado em outras provas mais explícitas. Se um dos Apóstolos estivesse destinado a ser o cabeça dos restantes, isto é o que deveríamos esperar que acontecesse, e é isto que aconteceu a Pedro, que é em outros lugares apresentado como o cabeça dos Apóstolos.

            Mas vamos agora para as mais importantes injunções que Nosso Senhor deu aos Seus Apóstolos após Sua ressurreição, a respeito do governo de Sua Igreja. E aqui é necessário verificar com maior cuidado o que Ele diz e o que dá a todos os Apóstolos em comum e o que dá a Pedro em particular.

            Antes de tudo, então, podemos observar o cuidado de Nosso senhor a desempenhar as promessas que Ele fizera aos Doze, e para transmitir-lhes seus poderes legislativos, judiciais e executivos. Eles são mencionados por todos os quatro Evangelistas, embora em diferentes termos, mas como que envolvendo os distintivos poderes Apostólicos de uma imediata instituição por Cristo, uma missão universal; eles são enviados como Apóstolos, e são enviados por Cristo. O formato recordada em São Mateus é esta: “Toda autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo”.

            De São Marcos lemos: “Ide por todo mundo e pregai o Evangelho a toda criatura”.

            São Lucas faz referência especial em duas passagens ao Espírito Santo, como sendo Ele mesmo “dom” Divino, e o efetuador imediato de todas as graças no homem, como o princípio da hierarquia eclesiástica: “Eu vos mandarei o Prometido de meu Pai; entretanto, permanecei na cidade, até que sejais revestidos da força do alto.” E, novamente, “E comendo com eles, ordenou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem o cumprimento da promessa de seu Pai, que ouvistes , disse ele, da minha boca; porque João batizou na água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo daqui há poucos dias. […] Mas descerá sobre vós o Espírito Santo e vos dará força; e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até os confins do mundo”.

            Em São João está registrado: “Disse-lhes outra vez: A paz esteja convosco! Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio a vós. Depois destas palavras, soprou sobre eles dizendo-lhes: Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos”[7].

            Agora, observe-se que estas passagens dos Evangelísticas são idênticas em sua força; isto é, cada uma delas conferem todos os poderes que constituem o Apostolado. Eles são recebidos por todos os Apóstolos em comum e juntos; e na posse conjunta deles consiste a igualdade que é constantemente atribuída pelos antigos escritores aos Apóstolos, como São Cipriano explicou com clareza: “Ele deu a todos os Apóstolos um poder igual, e disse, ‘Como o Pai me enviou, eu vos envio’”. E, mais uma vez, “Certamente os outros Apóstolos também eram o que Pedro era, dotados de companheirismo, tanto de honra quanto de poder”[8]. [INTERESSANTE COMO ISSO TEVE QUE SER EXPLICADO. ISSO PROVA INDIRETAMENTE A SUPERIORIDADE DE PEDRO]

            E estes poderes Apostólicos, legislativo, judicial e executivos, são em seguida referidos como sendo exercidos; como em Atos XV, onde o primeiro concílio, com o poder de ligar, faz um decreto sobre a Igreja; ou melhor, apresentam-se em conjunto o nome do Espírito Santo e dos Governantes da Igreja, “pois pareceu bom ao Espírito Santo e a nós”; que são enviados por São Paulo às cidades que deverão cumpri-la: Atos XVI, 4; assim como em Atos XX 28, onde os bispos são encarregados de governar na Igreja, cada qual sobre seu rebanho, sobre o qual o Espirito Santo o encarregou, como em I Coríntios V, 1-5, onde São Paulo, “em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo” excomunga; como em 2 Coríntios X, 6, onde ele expõe seu poder Apostólico; como nas Epístolas a Tito e Timóteo, onde ele estabelece-lhes na autoridade, obrigando-os a ordenar Sacerdotes em cada cidade, e ordena que “reprovem” ou “repreendam”.

            E todos estes poderes São Pedro, de fato, como um dos Doze, recebera em comum com o restante. O limite deles parecia residir em sua partilha em comum por doze; como, por exemplo, na missão universal residindo em tal corpo deve praticamente ser determinado e delimitado aos diferentes membros deste corpo, ou um interferiria no que é devido a outro. Mas não há nada nestes poderes que responda as imagens de “rocha” sobre a qual a Igreja seria construída, o individual “portador das chaves” e o “confirmador” de seus irmãos, que Cristo destinou a um Apostolo.

            Da mesma forma, então, que Nosso Senhor cumpriu suas promessas aos Doze, assim o fez a São Pedro, de modo que encontramos escritos o comprometimento e uma autoridade a ele exatamente referente a estas imagens; uma autoridade que expressa todos os poderes legislativos, judiciais e executivos de um cabeça, que pode ser executado por um somente, e por si mesmo de natureza suprema, que não responde ninguém exceto a Deus. Pareceu bem a Nosso Senhor que não havia imagens melhores para expressar isso tão decisivamente quanto a Rocha, o Portador das Chaves e o Confirmador de seus irmãos         Uma vez, quando Ele passou pelo lago da Galiléia, Ele viu dois pescadores com suas redes ao mar, e “disse-lhes, Segui-me, e farei de vós pescadores de homens, e imediatamente deixaram suas redes e seguiram-nO”. Novamente, também, Ele subiu na barca do mesmo pescador e, sentado, ensinou a multidões fora dele. E então ele pediu que o pescador, “que tinha trabalhado toda a noite lançando a rede” e, na fé “lançasse uma vez mais”, depois disso “ele pescou tão grande multidão de peixes que encheu o barco”[9]. E, novamente, após algum tempo, quando o pescador tinha se tornado um Apóstolo, aquela mesma barca foi usada para levar Jesus pelo lago. Enquanto dormia, uma tempestade os assaltou, e Seus discípulos de pouca fé o acordaram dizendo: “Mestre, salvai-nos, perecemos”, não sabendo ainda que o navio que Nosso Senhor tivesse poderia estar em apuros (be tost), mas não afundar[10]. Depois disso eles obsevaram-no andando sobre o mar, no quarto horário da noite, quando Pedro, com seu fervor, desejou estar junto d’Ele, e, indo encontrar seu senhor nas ondas, sua fé falhou, e ele começou a afundar, até que a mão Toda Poderosa o segurasse, e fosse com ele para a barca, que “pouco depois chegou ao seu destino”[11]. E agora Pedro, Tomé e Natanael, filhos de Zebedeu, e dois outros, mais uma vez estão no mesmo mar, mas não mais com Aquele que comandara os ventos e andara sobre as ondas. Mais uma vez, também, eles[12] trabalharam toda a noite, mas não “pescaram nada”; então, eis que, no amanhecer, Jesus aparece na praia, embora ainda não reconhecido por eles, e diz que lancem no lado direito da barca, “e então eles foram capazes de pescar uma multidão de peixes”. Assim Ele revelou a si mesmo a eles e os convidou para comer dos peixes que pescaram. Então “Subiu Simão Pedro e puxou a rede para a terra, cheia de cento e cinquenta e três peixes grandes. Apesar de serem tantos, a rede não se rompeu.” Pois, de fato, estes grandes peixes, reunidos por Pedro sob o comando de Cristo, anunciava os eleitos de Deus, a quem a Igreja reuniria do mar deste mundo, que não podia quebrar a rede e que Pedro levou até a terra eterna onde Cristo os acolhe. E, após este maravilhoso banquete dos discípulos com seu Senhor, anunciando as bodas sem fim, na qual “o peixe assado é Cristo em Sua paixão”[13], Nosso Senhor passa a coroar toda a série de distinções, com as quais, desde que impôs o nome profético, marcara Simão, filho de Jonas, para ser o Líder de Seus discípulos: e assim ele Cumpre em torno do lago da Galileia o que previra assim que olhou para Pedro e o que prometeu nas portas de Cesareia de Filipe e o que repetiu na véspera de Sua paixão.

            Foi sua vontade apontar um para ficar em seu lugar na terra. Agora Ele tinha assumido para Si mesmo um título particular e especial, sob o qual, nos antigos tempos, Seus profetas predisseram Seu advento entre os homens, e que acima de todos os outros expressava seu amor ao homem caído. Foi predito sobre Ele: “Para pastoreá-las suscitarei um só pastor, meu servo Davi. Será ele quem as conduzirá à pastagem e lhes servirá de pastor”. Mais uma vez: “Elevai com força a voz, para anunciar a boa nova a Jerusalém. […] como um pastor, vai apascentar seu rebanho, reunir os animais dispersos, carregar os cordeiros nas dobras de seu manto, conduzir lentamente as ovelhas que amamentam”. E, mais uma vez, na própria profecia que os chefes dos sacerdotes e os escrivas apresentaram a Herodes que Ele deveria nascer em Belém: “Ele se levantará para apascentá-los, com o poder do Senhor, com a majestade do Nome do Senhor, seu Deus. Os seus viverão em segurança, porque ele será exaltado até os confins da terra.” Apropriando estas predições a si Mesmo, o Senhor dissera, “Eu sou o Bom Pastor. O Bom Pastor dá Sua vida para Suas ovelhas […] Tenho ainda outras ovelhas que não são deste aprisco. Preciso conduzi-las também, e ouvirão a minha vós e haverá um só rebanho e um só pastor”[14]. Mas agora foi sua vontade dar este título particular, tão especialmente próprio a Si, a Pedro, e somente a Pedro, e a Pedro no mais marcante contraste mesmo com o mais amado de Seus outros discípulos, e a Pedro, repetindo três vezes a investidura, e variando a expressão para aplicar o termo em sua força máxima: “Tendo eles comido, Jesus perguntou a Simão Pedro: Simão, filho de João, amas-me mais do que estes? Respondeu ele: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta os meus cordeiros. Perguntou-lhe outra vez: Simão, filho de João, amas-me? Respondeu-lhe: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta os meus cordeiros. Perguntou-lhe pela terceira vez: Simão, filho de João, amas-me? Pedro entristeceu-se porque lhe perguntou pela terceira vez: Amas-me?, e respondeu-lhe: Senhor, sabes tudo, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta as minhas ovelhas”.

            Nosso Senhor abordara os sete discípulos reunidos, “”Amigos, não tendes acaso alguma coisa para comer? […] Lançai a rede ao lado direito da barca e achareis. […] Trazei aqui alguns dos peixes que agora apanhastes. […] Vinde e comei”. Mas agora, voltando-se a um em particular, Ele o chama da forma mais especial, pelo seu nome, perguntando-lhe se o ama mais que os outros, e conferindo-lhe uma responsabilidade que, como veremos, por sua própria extensão exclui em sua realização a posse conjunta com qualquer outro, e por uma profecia acerca da maneira de sua morte, que é totalmente particular a Pedro. Se for possível qualquer palavra para transmitir um poder e uma responsabilidade a uma pessoa particular, e excluir o restante da companhia desse poder e responsabilidade especial, isso é feito aqui.

            Mas, em segundo lugar, há uma investidura de natureza de fato alta e distinta, pois Nosso Senhor antes de conferi-las demanda de Pedro, como condição, maior amor a Ele que qualquer um dos Doze sentem – até mesmo os filhos de Zebedeu, aos quais, por causa de seu zelo, Ele chamou Boanerges, filhos do trovão – até mesmo o discípulo que Ele amava e que encostou-se em seu peito na última ceia. Qual deverá ser esta investidura, cuja condição preliminar para tal é um amor maior a Jesus do que o do discípulo amado? Qual será a continuação apropriada para “Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes?” Qual, novamente, a importância deste ofício, que para conferir Nosso Senhor repete três vezes a condição e, também três vezes, a responsabilidade? As palavras de Deus não são pronunciadas aleatoriamente, nem Suas repetições sem efeitos. Quis são os sujeitos da investidura? São as “minhas ovelhas” e “meus cordeiros”; isto é, o próprio rebanho do Grande Pastor. Como Ele disse, “Se eu não lavar, não tereis parte comigo”, assim aqueles que não são nem seus cordeiros nem suas ovelhas, não fazem parte de seu rebanho. Outros nas Sagradas Escrituras também são colocados como pastores, mas como uma limitação, como “Cuidai do rebanho o qual o Espírito Santo os colocou como bispos” ou “alimentai o rebanho de Deus que está entre vós”. E, mais amplamente isso foi dito, “ide pois e fazei discípulos em todas as nações”; e “ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura”[15]. Mas aqueles aos quais foi dito eram eles mesmos ovelhas do Grande Pastor, e, ao confiar-lhes o mundo, Ele não confiou-lhes uns aos outros. Enquanto que aqui, eles também, como Suas ovelhas, são colocados aos cuidados de um, até mesmo Pedro; e muito expressamente, nas pessoas de Tiago e João, e o restante presente, “Tu me amas mais que estes?” Um rebanho particular nunca é chamado simples e absolutamente “o rebanho” ou “o rebanho de Deus”, mas “o rebanho que está entre vós”, “no qual o Espírito Santo vos fez bispos”. E, novamente, os Apóstolos são enviados em comum para todo o mundo, para pregar a todas as nações, e formar um rebanho; mas eles eram doze, e “um poder dado a muitos tem sua restrição em sua divisão, enquanto que o poder dado a um só e sobre todos, e sem excessão, traz consigo a plenitude e, sem ter que se dividir com nenhum outro, não possui limites, exceto aqueles que os seus termos transmitem”[16]. Quais são os termos aqui? “Apascenta” e “ser pastor sobre” ou “reger/governar” “Minhas ovelhas e meus cordeiros”. Estes termos não têm limite, salvo o da própria salvação. Tais, então, são as pessoas indicadas como sujeitos desta responsabilidade. Mas qual é a natureza desta investidura? Duas palavras diferentes de extensão e força desiguais no original, mas ambas são colocadas como “apascentar” na tradução, convergem nisso. Uma significa “dar alimento” simplesmente, a outra tem um alcance muito mais elevado e nobre, e abarca todo ato de cuidado e providência no governo dos outros, sob a uma imagem completamente afastada do espírito de orgulho e ambição. Com esta palavra, São Paulo e São Pedro expressam o poder do Bispo sobre seu rebanho[17]. E assim Nosso Senhor, aqui instituindo o Bispo dos Bispos, o único Pastor do único rebanho, dá a Pedro todo seu rebanho, com a própria palavra atribuída a Ele na famosa profecia: “E tu, Belém, terra de Judá, não és de modo algum a menor entre as cidades de Judá, porque de ti sairá o chefe que governará Israel, meu povo”, a mesma palavra usada  por Ele mesmo no Salmos II para expressar todo Seu poder e domínio, e em Sua revelação a São João é dito sobre Sua triunfante carreira, como a Palavra de Deus indo para a batalha, “ele os regerá com um cajado de ferro”; e, novamente, no mesmo livro é aplicado por Ele mesmo a honra “ao vencedor, ao que praticar minhas obras até o fim, dar-lhe-ei poder sobre as nações pagãs”[18]. Assim, tal como nas pessoas apontadas, o sujeito desta investidura é universal, assim também nos termos pelos quais é expresso, a natureza do poder é supremo. O que o Bispo é para seu próprio rebanho, Pedro é para “o rebanho de Deus”; e, de uma vez só, da forma mais simples, assim como da maneira mais enfática e absoluta, pela instituição do próprio Pastor Chefe, no fim de Seu ministério, e por associar somente a Pedro a Si mesmo em seu título mais distinto. Se o rebanho de Cristo é equivalente a “Igreja de Cristo” e o “reino do céu”, assim apascentar e reger as ovelhas e os cordeiros deste rebanho é equivalente a ser a “Rocha” desta Igreja e “o Portador das chaves”, bem como o Primeiro, o Maior e o Apascentador.

            E, olhando as circunstâncias nas quais esta investidura é recebida por Pedro, elas ou conferem esta honra singular e especial e poder que demonstramos aqui, ou nada mais. Pois Pedro tinha recebido toda a completa autoridade Apostólica: ele escutou junto do restante dos Apóstolos estas palavras poderosas: “Assim como o Meu Pai me enviou, eu também vos envio” e o poder de ligar e desligar. Não poderia ser aqui este poder a ser dado a ele, pois já o recebera. Tudo o que Tiago e João, os filhos do trovão, tinham recebido, ele também recebera antes destas palavras que agora são pronunciadas. Além disso, o poder que deveria ser compartilhado por Tiago e João, e o restante dos Apóstolos, não podia ser dado em termos que o distinguissem deles, como “tu me amas mais que eles?”. Não poderia ser o mero perdão de sua negação, pois não foi somente o apostolado anteriormente conferido, pois quando Nosso Senhor apareceu a ele antes de todos os Apóstolos após Sua ressurreição, foi um sinal deste perdão. Não haveria mais nada a dar-lhe, a não ser a presidência sobre os próprios Apóstolos, recompensa do maior amor, como lhe foi profetizado em recompensa de sua maior fé. Pois estes dois oráculos de Nosso Senhor correspondem exatamente a cada uma como promessa e cumprimento. Suas condições e seus termos lançam-se luz reciprocamente. No primeiro há a grande confissão: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”; na outra, uma singular declaração: “Tu me amas mais do que estes?Sim, Senhor.” No primeiro há a recompensa: “Eu te digo, tu és Pedro…”, etc; no outro há do mesmo modo uma recompensa: “apascenta minhas ovelhas, sede pastor de meus cordeiros”. Um é futuro: “Sobre ti edificarei, te darei, tudo que ligares, tudo que desligares”; a outra é presente: “Apascenta, sede o pastor”. O que em um se trata da “Igreja e o reino do céu”, no outro é o “rebanho”. E a promessa e o cumprimento são singularmente restringidas a Pedro: “Eu te digo, tu és Pedro”; “Simão, filho de João, tu me amas mais que estes?”. [AQUI JESUS FEZ QUESTÃO DE DESTACAR QUE É SÃO PEDRO, CHAMÁ-LO PELO NOME, COMO QUE PARA NOS MOSTRAR QUE ERA REFERÊNCIA A PEDRO, POIS ELE SABERIA QUE ISTO SERIA LIDO]

            E então Pedro recebeu a promessa do supremo episcopado à frente de todos e em si mesmo, sob os termos de que ele deveria ser a Rocha, sobre a qual a Igreja construída nunca pereceria, que ele seria o Portador das chaves no reino dos céus, e que ele sozinho ligaria e desligaria no céu e na terra; então após seu próprio Apostolado e do restante ter sido estabelecido, ele apenas recebeu, como a coroa da obra divina, a realização deste supremo episcopado, sob os termos: “Apascenta meus cordeiros, apascenta minhas ovelhas”. E, como parte desta magnifica promessa feita somente a ele, foi depois levado e feito Apóstolos juntos com eles, pois assim “foi o desígnio de Jesus Cristo colocar primeiro em um só o que depois ele quis colocar em vários; mas o que vem depois não reverte o primeiro, nem o primeiro perde seu lugar. Esta primeira palavra, ‘tudo o que ligares’, dita a um sozinho, já colocava sob seu poder cada um daqueles a quem isso também será dito, ‘tudo o que perdoares’; pois as promessas de Jesus Cristo, bem como seus dons, não se repetem; e o que foi uma vez dado indefinidamente e universalmente é irrevogável”[19]. Assim, quando Pedro e o restante já possuíam todo o Apostolado, a comissão de ir e pregar a todo o mundo, e fazer discípulos em todas as nações, um poder foi acrescentado a Pedro que faz parte do que já lhe fora prometido; os próprios Apóstolos, com todo o rebanho, estariam sob seu cuidado; ele representava a pessoa do Grande Pastor: a divina obra estava completa.

            Assim, os poderes do Apostolado e da Primazia não são antagônicos, mas harmonizam-se entre si. No colégio dos Doze, quando criado e enviado a todo o mundo, algo estava sendo esperado (algo estava faltando?), salvo que “pelo apontamento de um cabeça, a ocasião de cisma seria tirado”[20], e Satanás teria rasgado todo o tecido, mas havia um divinamente inspirado para “confirmar os irmãos”. Aquele que “estava” uma vez “com eles” por Sua presença pessoal, agora estaria mais ainda pela palavra de Seu poder, emitida no lago da Galileia, mas ressoando por todas as eras, clara e decisiva, em meio a queda de impérios, e a mudança de raças, e ouvida por todo o Seu rebanho até mesmo nas ilhas mais extremas, até o dia da vinda do Filho do Homem: “Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes? Apascenta minhas ovelhas; apascenta meus cordeiros”.

            E que esta autoridade suprema e universal sobre a Igreja de Cristo estava nestas palavras feitas a Pedro pelo Senhor, é a crença da antiguidade. Santo Ambrósio diz no Ocidente: “Não há dúvida de que Pedro cria, e cria porque amava, e amava porque cria. Por que, então, ele ficou triste ao ter sido perguntado três vezes “tu me amas”? Pois o fazemos a quem duvidamos. Mas o Senhor não duvida, mas interroga não para aprender, mas para ensinar àquele que, no momento de ascender ao Céu, Ele estava deixando, por assim dizer, o sucessor e representante de Seu amor[21]. Por ele ter feito sozinho a profissão é que ele é preferido a todos. Finalmente, no terceiro caso, o Senhor lhe pergunta, não mais tens tu uma consideração (diligis me) a Mim, mas amas (amas) a mim; e agora ele ordenava a apascentar, não os cordeiros, como no primeiro caso, que necessitavam da dieta de leite, nem as ovelhinhas, como no segundo caso, mas os cordeiros mais perfeitos, para que aquele que era mais perfeito pudesse ter o governo[22]. No Oriente, São João Crisóstomo: “Por que, então, afastando-se do restante, Ele conversa com ele sobre estas coisas? Ele era o escolhido dos Apóstolos, e o porta-voz dos discípulos, a cabeça do bando. Portanto, também Paulo subiu para vê-lo em vez do restante. Isso foi, ademais, para mostrar-lhe, que no futuro ele deve ser corajoso, como sua negação foi perdoada, que Ele colocou em suas mãos a presidência sobre seus irmãos. E Ele não menciona a negação, nem o reprova pelo que fez no passado; mas Ele diz, Se tu me amas, apascenta os irmãos, e mostra agora que aquele afeto caloroso que em todas as ocasiões exibiste, e no qual exultaste, e a vida que ofereceste a Mim, agora entregai para Minhas ovelhas”. Mais uma vez, “Ele pergunta três vezes, e três vezes dá-lhe o mesmo comando, mostrando por quão alto preço ele investiu Sua própria ovelha” . Novamente, “Ele foi investido para a direção de seus irmãos”. “Ele lhe fez grandes promessas, e colocou o mundo em suas mãos”. Portanto, João e Tiago, e os demais Apóstolos, foram colocados ao cuidado de Pedro, mas não Pedro ao deles, e acrescenta: “Mas se alguém perguntar, como então Tiago recebeu o trono de Jerusalém? Eu responderei que Ele escolheu a Pedro não para ser o mestre deste trono, mas para o de todo o mundo”. E, em outro lugar, “Por que Ele derramou seu sangue para colocar suas ovelhas as quais Ele colocou sob o cuidado de Pedro e seus sucessores? Com razão então disse Cristo, ‘Quem é o fiel e prudente servo a quem seu Senhor entregou toda sua própria casa?’”[23]. [INTERESSANTE NOTAR É QUE JESUS NÃO SÓ CONFERIU UM NOME A PEDRO, MAS FEZ ATOS E PALAVRAS QUE NÃO SÓ EXPLICAM QUANTO CUMPREM O PODER DADO A ESTE NOME. MAS DEU TAMBÉM OUTROS TÍTULOS ALÉM DE ROCHA, COMO O DE PASTOR] Teofilato repetiu, setecentos anos depois, a perpétua tradição do Oriente: “Ele colocou nas mãos de Pedro a chefia sobre as ovelhas de todo o mundo, e a nenhum outro além dele Ele deu isso; primeiro, porque ele era distinto de todos e o porta-voz de todo o grupo; e, em segundo lugar, mostrando a ele que ele deve ter confiança, a medida que sua negação foi perdoada”. E se São Leão, um Papa, declara que “embora haja entre o povo de Deus muitos padres e muitos pastores, ainda Pedro rege sobre todos pela comissão imediata, a quem Cristo também rege por soberano poder”[24], o grande Oriental, São Basílio, dava uma razão adequada para isso cerca de um século antes, quando ele viu toda a autoridade pastoral na Igreja como incluída nesta concessão a Pedro, declarando que o espiritual “regente não é ninguém senão aquele que representa a pessoa do Salvador, e oferece a Deus a salvação daqueles que lhe obedecem, e isso nós aprendemos do próprio Cristo quando Ele apontou a Pedro para ser o pastor de Sua Igreja após Ele próprio[25].

            Mas devemos especialmente citar São Cipriano, pois a igualdade dos Apóstolos, antes referida por nós, considerando que sem levar em conta a proporção de fé que ele abandonou, ele acrescenta o completo reconhecimento da Primazia, e urge sua importância extrema. Assim, citando a promessa e o cumprimento, “Tu és Pedro”, etc., e “Apascenta minhas ovelhas”, ele continua: “Sobre ele unicamente Ele edifica sua Igreja; e embora tenha dado a todos os Apóstolos um poder igual, e tenha dito, ‘Como o Pai me envia, eu vos envio’, etc., ainda a fim de manifestar a unidade Ele, por Sua própria autoridade, colocou a fonte da mesma unidade tendo um como origem. Certamente os outros Apóstolos também eram o que Pedro era, dotados de igual honra e poder, mas começo faz-se a partir da unidade, que a Igreja possa ser uma”[26]. Isto é, os Apóstolos eram iguais nos poderes que lhes foram concedidos em João XX, 23-25, mas segundo Mateus XVI, 18, 19, Lucas XXII, 31-33 e João XXI, 15-18, “a Igreja foi construída sobre Pedro somente”, e ele foi feito a fonte eterna da unidade eclesiástica.

            Ainda assim, claramente como Nosso Senhor nesta investidura associa Pedro a si mesmo, coloca-o sobre seus irmãos, os outros Apóstolos, e cumpre tudo que prometera, como ao fazer dele “o Primeiro”, o “Maior” e o “Apascentador ou Líder/Regente”, pelo título de “Pastor”, no qual é somada toda autoridade sobre Sua Igreja, e todo o propósito de Sua divina missão, “para encontrar e salvar quem estava perdido”, ainda um toque de ternura é acrescentado pelas mãos do Mestre, que faz com que tudo isso seja mais forte, e deve ter falado pessoalmente sobre os sentimentos de Pedro sobre os outros discípulos, como a maior e mais solene consagração deste singular ofício. Pois quando o Senhor falou esta parábola, “eu sou o bom pastor”, ele acrescentou a característica, “o bom pastor dá a vida pelas suas ovelhas”. E então agora, colocando Pedro em seu lugar para cuidar das ovelhas, Ele acrescenta este sinal: “Em verdade, em verdade te digo: quando eras mais moço, cingias-te e andavas aonde querias. Mas, quando fores velho, estenderas as tuas mãos, e outro te cingirá e te levará para onde não queres”. “Quando eras mais moço, cingia-te”, aludindo, possivelmente, ao impulso de afeto que ele, logo que Pedro ouviu de João que era o Senhor que estava na praia, “Quando Simão Pedro ouviu dizer que era o Senhor, cingiu-se com a túnica e lançou-se às águas”, pois seu amor não iria aguentar a lentidão do barco. Assim, Ele ensinou a Pedro que a chefia na qual Ele estava o colocando, que “o cuidado de todas as Igrejas”, requeria um espírito diferente daquele que prevalecia entre os “reis das nações”, de modo a levá-lo a um fim diferente, o último ato de coroação de uma vida de sacrifício, que começou por ser o servo de todos, percorreu mil atos de humilhação e aflição, e foi concluído com o martírio da crucificação. E assim na sua morte, bem como em sua investidura como cabeça visível da Igreja, ele deveria ser tratado como seu Senhor, e, seguindo os passos do Bom Pastor, a quem ele sucedeu, ele daria sua vida por suas ovelhas. Pois “por estas palavras, ele indicava o gênero de morte com que havia de glorificar a Deus. E depois de assim ter falado, acrescentou: Segue-me!”, com um significado muito mais profundo agora do que quando estas palavras foram ditas pela primeira vez junto a esse lago. Então “Segue-me, e farei de ti pescador de homens”. Agora ele diz “Segue-me, e associarei a ti minha vida e minha morte, minha carga e sua recompensa. Esta será a prova de teu grande amor, ser obediente até a morte, e morte de cruz”. Tal foi a unção com que que o primeiro Primaz da Igreja recebeu para a tripla coroa. “Segue-me”. Como seu divino Mestre, ele esteve durante todo o seu ministério com a cruz diante de seus olhos, e esteva certo em seu coração o fim certo de seu percurso. E assim Pedro “recebeu o poder e a autoridade sacerdotal sobre todos, do próprio Deus que se encarnou por nós”[27], e assim ele seguiu os passos do Bom Pastor, como sucessor de Seu ofício. E, portanto, tendo acompanhado sua missão e triunfado sobre a colina Romana, ele fala de Roma através da linhagem eterna de seus herdeiros espirituais, e alimenta o rebanho de Cristo.

[1] Passaglia, p. 93.

[2] Mateus XVI, 16.

[3] Mateus X, 1; Marcos XXX, 13-15; Lucas VI 12, 13; Mateus XVIII, 18.

[4] João XVII, 12.

[5] Marcos XVI, 6.

[6] 1 Co XV 1-9.

[7] Mateus XXVIII 18; Marcos XVI, 15; Lucas XXIV, 49; Atos I, 4-8; João XX, 21.

[8] De Unitate Ecclesiae, 3.

[9] Marcos I, 16; Lucas V, 3.

[10] Marcos IV, 38; Lucas VIII, 24.

[11] João VI, 21.

[12] João XXI, 1-14.

[13] Santo Agostinho, no 122º discurso sobre São João, que assim apresenta seu capítulo: “Piscis assus Christus est passus”.

[14] Ezequiel XXIV, 33; Isaias XL, 9-11; Miquéias, V, 2; Mateus II, 6; João X, 11, 14, 16.

[15] Atos XX, 28; 1 Pedro V, 10; Mateus XXVIII, 19; Marcos XVI, 15.

[16] Bossuet, Sermão sobre a Unidade.

[17] Atos XX, 28; 1 Pedro V, 10; Salmos II, 9; Apocalipse XIX, 15; II, 27.

[18] usada no texto de João e em todos os outros.

[19] Bossuet, Sermão sobre a Unidade.

[20] São Jerônimo.

[21] Amoris sui veluti vicarium.

[22] In Lucum, lib. 10, n. 175.

[23] St. Chrys, in Joan. Hom. 88, pp. 525-527 ; e De Sacerdot. Lib. 2, tom. I. p. 372.

[24] São Leão, Sermão 4.

[25] São Basílio, Constit. Monas. XXII, tom. II. p. 573.

[26] São Cipriano, de Unit. 3.

[27] Stephen of Dora, in the Lateran Synod, A. D. 649. Mansi, X. 893.

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