Lectio Divina – Festa do Batismo do Senhor

Iniciemos esta meditação com o que nos ensina um grande Santo dos tempos modernos:

“Após a solenidade da Epifania, a liturgia apresenta-nos o Batismo do Senhor no Jordão e introduz-nos na intimidade do mistério da sua Pessoa e da sua missão. Ao mesmo tempo, oferece-nos uma ocasião de agradecer os inumeráveis dons que Cristo nos concedeu no dia em que fomos batizados, e exorta-nos a reafirmar “com renovado ardor de fé os compromissos que um dia os nossos pais, padrinhos e madrinhas assumiram por nós com as promessas batismais” e a renovar “a nossa firme e ardente adesão a Cristo, bem como a vontade de lutar contra o mal.” (São João Paulo II)

Através do Batismo de Jesus inicia-se de modo solene a sua missão salvadora. Ao mesmo tempo, o Espírito Santo começa por intermédio do Messias a sua ação nas almas, que durará até o fim dos tempos.

A liturgia própria desta festa é especialmente para que lembremos com alegria o nosso batismo e as suas consequências em na nossa vida. Santo Agostinho menciona nas suas Confissões o dia em que recebeu este sacramento, recorda-o com profunda alegria: “Naqueles dias, não me cansava de considerar com inefável doçura interior os profundos desígnios de Deus para salvar o gênero humano”. Com essa mesma alegria temos de recordar hoje que fomos batizados em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo.”

O mistério do Batismo de Jesus faz-nos penetrar no mistério inefável de cada um de nós, pois de sua plenitude todos nós recebemos graça sobre graça (Jo 1, 6-7). Fomos batizados não só por meio da água, como fazia o Precursor, mas no Espírito Santo, que nos comunica a vida de Deus. Demos hoje graças ao Senhor por aquele dia memorável em que fomos incorporados à vida de Cristo e destinados com Ele à vida eterna. Alegremo-nos por termos recebido o batismo talvez poucos dias depois de termos nascido, como é costume imemorial na Igreja.

Através do Batismo, não nos é somente perdoado o pecado original, como também todos os pecados pessoais, e a pena eterna e temporal devida pelos pecados. O fato de sermos configurados com Cristo ressuscitado indica que a graça divina, as virtudes infusas e os dons do Espírito Santo tomam assento na alma do batizado, que se converte em morada da Santíssima Trindade e abrem-se ao cristão as portas do Céu.

As consequências do pecado original ainda permanecem e que, embora procedam dele, não são pecados em si mesmos, mas inclinam para o pecado; o homem batizado continua sujeito ao erro, à concupiscência e à morte, consequências todas elas do pecado original. No entanto, o Batismo semeia desde o começo no corpo humano a semente de uma renovação e de uma ressurreição gloriosas. Que enorme diferença entre a pessoa que vai ou é levada à igreja para receber este sacramento e a que regressa já batizada! O cristão “sai do batismo resplandecente como o sol e, o que é mais importante, convertido em filho de Deus e co-herdeiro com Cristo.”

Na festa de hoje, somos convidados a tomar consciência uma vez mais dos compromissos adquiridos pelos nossos pais e padrinhos, em nosso nome, no dia do nosso batismo; a reafirmar a nossa fervente adesão a Cristo e a vontade de lutar por estar cada dia mais perto d’Ele; e a afastar-nos de todo o pecado, mesmo venial, já que, ao recebermos este sacramento, fomos chamados à santidade, a participar da própria vida divina.

É precisamente o Batismo que “nos faz fiéis”, palavra que os primeiros seguidores de Jesus empregavam para designar-se entre si, e que ainda hoje se usa: fala-se dos “santos” da Igreja” (Forja, 622).

Seremos fiéis a este admirável sacramento na medida em que a nossa vida estiver edificada sobre o alicerce firme e seguro da oração. São Lucas diz-nos no seu Evangelho que Jesus, depois de ter sido batizado, estava em oração (Lc, 3, 21). E São Tomás de Aquino comenta: nesta oração, o Senhor nos ensina que “depois do Batismo, o homem necessita da oração assídua para conseguir a entrada no Céu; pois, se bem que pelo Batismo se perdoem os pecados, permanece no entanto a inclinação para o pecado que nos acossa interiormente, e permanecem também o demônio e a carne que nos combatem exteriormente.” (S.Th.,III, q. 39, a. 5.)

Rendamos no dia de hoje ao Senhor profunda gratidão por essa festa, pelo nosso batismo pessoal, por este sacramento que nos abriu as portas do céu, que nos fez filhos no Filho e nos confiemos a Nossa senhora o desejo de sermos fiéis a tudo aquilo que ele representa e exige de nós.

 

Laus Deo In Aeternum

 

Walter Silva

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