Lectio Divina – 6º Domingo do Tempo Comum

A liturgia da palavra neste domingo é muito objetiva, as leituras trazem textos que possuem uma clareza muito intensa para nossos corações e a relação entre estes trechos da Sagrada Escritura é encontrada com certa facilidade.

Iniciamos com a leitura do livro do Levítico orientando qual devia ser o procedimento com os indivíduos que contraiam lepra nos acampamentos mosaicos. Aqui é necessário que fujamos de um sentimentalismo diante da ordem de que o doente se retirasse do convívio da comunidade.  Precisamos entender algumas determinações dadas ao povo hebreu conforme o contexto que eram impostas; antes, é fundamental que saibamos discernir entre as ordens de caráter moral e as de caráter comunitário. Essa, podemos perceber é de caráter comunitário, afinal o risco de contágio era altíssimo, poder-se-ia contaminar toda a comunidade e sabemos bem: a enfermidade não tinha cura à época. Em suma, as de ordem comunitária vão sendo abandonadas conforme ocorre a superação de certas limitações, as de ordem moral não são abolidas.

Obviamente, a marginalização é sempre muito dolorosa para quem a vive, mas devemos ir além disso nesse texto. Sim, Cristo veio também para os segregados da sociedade, os que são discriminados, mas o trecho da leitura do Evangelho quer nos mostrar que existe uma necessidade para nossa existência muito maior que as necessidades físicas e materiais, existe a urgência de se reconhecer que Cristo é o Senhor, aquele que tem o poder de mudar  nossas vidas! É isso que o leproso faz! Ele reconhece o senhorio de Jesus e humildemente pede-Lhe a cura.

Percebamos que Jesus não vem impor ao mundo em que viveu no tempo de Sua vida mortal que os leprosos viessem morar no meio da comunidade, colocando em risco a saúde coletiva; Ele não rompe com a lei ainda necessária naquele tempo, visto que não havia cura para lepra naquela época. Pelo contrário, Cristo ordena que o homem curado apresente-se ao sacerdote e cumpra o rito de purificação.

A Igreja sempre alerta que devemos tomar cuidado para que, ao lutarmos contra as injustiças sociais que nos cercam, não percamos de vista de que a causa de todos os males encontra-se no pecado, na transgressão à Lei divina, na ofensa a Deus. Combater as mazelas sociais sem anunciar a Verdade que é Cristo, sem convidar à conversão é não dar ao mundo a oportunidade de conhecer o Sumo-bem que é Deus, que tem o poder de dar à nossa existência uma magnitude e um sentido que nenhum bem material ou físico pode dar.

Procuremos, como o apóstolo, mergulhar na necessidade de cada pessoa, entender as necessidades mais profundas do nosso próximo, isso é compaixão! É isso que Cristo sente pelo leproso e é dessa forma que S. Paulo imita o Senhor. É sendo compassivo que saímos da escravidão das nossas vontades pessoais e podemos agradar e alcançar aos que têm necessidade, uma  necessidade muito maior que as temporais: uma necessidade do Eterno.

Neste dia de Nossa Senhora de Lourdes, sigamos o conselho do Apóstolo em imitar a Cristo, e nenhuma forma é mais perfeita que a própria mãe do Senhor, que sobre o título de Lourdes, é procurada por tantos que padecem dos males do corpo e da alma e  alivia-lhes tal como seu Filho.

Por Wellington Vieira

Primeira Leitura (Lv 13,1-2.44-46)

Segunda Leitura (1Cor 10,31-11,1)

Evangelho (Mc 1,40-45)

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