Lectio Divina – 5º Domingo do Tempo Comum

“Nada há de mais frio do que um cristão que não se preocupe com a salvação dos outros”¹, ensina S. João Crisóstomo e com tal sentença podemos iniciar esta lectio, pois está profundamente ligada às leituras deste domingo.

Deve ser algo intrínseco ao nosso ser cristão desejar com todas as forças levar o maior número de almas para Deus, e, embora nosso testemunho diário seja fundamental, não podemos abdicar do anúncio, da pregação do Evangelho para satisfazer àquele desejo inerente do cristão.

Vejamos como S. Paulo é impelido por este desejo de que as almas conheçam a Deus, como ele entende que é uma missão a qual ele não pode virar as costas. Ele não se sente no direito de reter para si tudo que conhece de Cristo. Não se sente no direito de não retribuir ao Senhor por todas as graças e amor que recebe dEle.  Dessa forma, coloca-se a serviço, norteia sua vida ao anúncio da Boa Nova de Cristo. Para tal, se fez tudo para todos, a fim de salvar alguns.

É necessário que nossa vida seja também norteada para que o máximo de pessoas possam ser alcançadas pelo Evangelho para que algumas possam ser salvas. Se temos que nos colocar como fracos, pobres, ímpios, ou seja, entrar na realidade do outro, colocar-nos no lugar do outro para dali fazê-lo conhecer a Luz e Vida que é Cristo, façamos!

Já não podemos fingir por conveniência que não conhecemos a Cristo nos ambientes que frequentamos. Fazer-se tudo para todos, não é compartilhar das falhas e da iniquidade, antes é mergulhar na realidade do outro, ou seja, ser misericordioso, ser compassivo, para que o anúncio do Evangelho seja efetivo.

Não nortear a nossa vida para esse propósito de salvação das almas seria o mesmo que vermos a sogra de Pedro após a sua cura voltar-se para si e para suas necessidades, sendo ‘grata’ apenas interiormente. Não é isso que vemos! Temos, pelo contrário, diante dos olhos, um profundo exemplo de gratidão: alguém que entende que a graça de Cristo na própria vida precisa ser traduzida em serviço. A sogra de Pedro tinha o Senhor e seus discípulos para servir, nós temos o próximo para levar a Deus.

Nossas vidas são curtas, nossos dias correm mais que a lançadeira, nossa existência é permeada de sofrimento – como ensina Jó. Não esperemos o amanhã para transformar nossa curta vida num ato de gratidão. Não esperemos amanhã para levar aos nossos irmãos o conhecimento de Deus.  Tornemos fecundo o sofrimento da nossa existência: que seja o sofrimento oriundo da batalha do anúncio evangélico.

Que este ato de gratidão, que este desejo de salvar o outro seja o meio pelo qual a Esperança seja nutrida em nossos corações na brevidade das nossas vidas e o meio pelo qual seja semeada no coração do próximo.

 

Por Wellington Vieira

 

Leituras

1ª Leitura – Jô 7,1-4.6-7

2ª Leitura – 1 Coríntios 9,16-19.22-23

Evangelho – Marcos 1,29-39

 

Nota

1 – São João Crisósomo, Homilia sobre Atos 20

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