Lectio Divina – 2° Domingo da Páscoa

 

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.
Tomé respondeu: “Meu Senhor e meu Deus!” (Jo 20, 28). Quanto assombro!
Estamos ainda em pleno dia de Páscoa, afinal, hoje é “o Dia que o Senhor fez para nós”, e segundo uma antiga tradição, o domingo de hoje tem o nome de Domingo “in Albis”. Neste dia, os neófitos da vigília pascal vestiam mais uma vez a sua veste branca, símbolo da luz que o Senhor lhes tinha dado no Batismo. Em seguida depois de abdicar da veste branca, permanecia a nova luminosidade que lhes foram comunicadas e tinham que a incluir na sua vida quotidiana; a chama delicada da verdade e do bem que o Senhor tinha acendido neles, deviam conservá-la cuidadosamente para assim levar a este nosso mundo a luz da bondade de Deus.
A liturgia neste dia quer que voltemos nossa atenção ao próprio Senhor ressuscitado, como nos retrata o evangelho. Ele sendo o vencedor da morte, nos revela que toda unidade se faz na Sua pessoa e nos chama a atenção aos efeitos dessa vitória formidável.
Nosso Senhor Jesus Cristo, morto como homem, morto na sua natureza humana, foi ressuscitado pelo Pai, que derramou sobre ele o Espírito Santo, Senhor que dá a Vida. E agora, cheio do Espírito, Jesus nos dá esse Dom divino, esse fruto da sua Ressurreição.
Caríssimos leitores, é preciso que fiquemos atentos para um fato importantíssimo: a Ressurreição de Cristo não é uma fábula, não é um mito, não é uma parábola. O Senhor realmente venceu a morte, realmente entrou no Cenáculo e realmente Tomé, admirado e envergonhado, feliz pelo Senhor e triste por sua incredulidade, tocou as mãos e o lado do Senhor vivo, Ressuscitado! Por isso, o cristão nunca deve se apavorar ou entrar em ato de desespero diante das contrariedades da vida, dos compromissos e renúncias pelo testemunho que deve dar de Cristo e nem mesmo diante da morte: “Sem ter visto o Senhor, vós o amais. Sem o ver ainda, nele acreditais. Isso será para vós fonte de alegria indizível e gloriosa, pois obtereis aquilo em que acreditais: a vossa salvação” ( I Pe 1, 6-9).
Portanto, nossa fé na Ressurreição de Cristo tem um fundamento sólido e inabalável. E, sabendo que Cristo ressuscitou, nossa fé não é vã. Era necessário que Cristo ressuscitasse por cinco razões segundo São Tomás:

Primeiro: Cristo ressuscita para manifestar a justiça divina, que exalta aqueles que se humilham por obediência e caridade. Cristo se humilhou por obediência e caridade até a morte e morte de cruz. Nada mais conveniente que fosse exaltado pela ressurreição.
Segundo: Ele ressuscita para que mudemos de vida, morrendo com Cristo para o pecado e ressuscitando com Ele para uma vida nova, vida da graça, de virtude.
Terceiro: Cristo ressuscita para nos dirigir para as coisas do alto: se ressuscitamos com Cristo para a vida da graça, arrependidos de nossos pecados, devemos buscar as coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus Pai, devemos apreciar as coisas do alto e não aquelas que estão sobre a terra (Col. 3,12).
Em quarto lugar, Cristo ressuscita para auxiliar a nossa fé quanto à sua divindade. Aquele que ressuscita por seu próprio poder e ressuscita para não mais morrer é verdadeiramente Deus.
Finalmente, Ele ressuscita para nos encher de esperança, pois quando vemos Cristo, nossa cabeça, ressuscitar, esperamos também nós, seus membros poder ressuscitar, e esperamos com grande confiança.
Em tempos como esses que vivemos de trevas, onde reina a falta de fé e a indiferença, a Misericórdia é a veste de luz que o Senhor nos concedeu no Batismo e que não devemos deixar que esta luz se extinga, ao contrário, ela deve crescer em nós todos os dias, para levar ao mundo o feliz anúncio de que Jesus verdadeiramente está VIVO, e nosso testemunho de Fé é a comprovação mais clara desta realidade.
Se Nosso Senhor assumindo a natureza humana, assumindo a condição de escravo, humilhando-se até a morte e morte de Cruz, tornando-se alimento de vida eterna, ressuscitando, derramando sobre nós o seu Espírito Santo, deixando-nos a Igreja, ensina-nos com tudo isso de forma clara e sucinta que a Misericórdia é sempre “um ato de busca”.
Lembro-me de Santa Madre Teresa em um de seus ensinamentos quando diz: “que sendo difícil para o pobre vir até nós devemos antes ir até ele”. Quantos são os “pobres” hoje em dia que necessitam, sim, necessitam da Misericórdia de Deus. Precisam urgentemente terem um resgate em sua Fé.
Jesus sempre foi incansável no seu ato de busca, tendo afirmado o apóstolo João em seu Evangelho que “se fôssemos narrar tudo o que ele fez, não caberia em livro nenhum sobre a face da terra” (cf. Jo 21, 25).
Buscar “é tratar as almas, uma a uma”, seja através de nossas orações, seja pelos atos de misericórdia.
A Ressureição do Senhor é um apelo incansável a sairmos de nós mesmos em busca daqueles que mais precisam sentir esse assombro do Apóstolo Tomé: “Meu Senhor e meu Deus”, a fim de terem sua fé ressuscitada.

Crer na Ressurreição é viver a Misericórdia.

Peçamos a Santa Maria, mãe de Misericórdia, que volvendo seus olhos a nós, nosso País, nossas casas, nossas famílias, consigamos de Deus Sua graça, e que nossa fé seja ressuscitada e nosso coração pacificado.

Laus Deo In Aeternum

Walter Silva

Ajude-nos a Evangelizar. Compartilhe este post:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *