Lectio Divina: 1º Domingo da Quaresma

A liturgia deste primeiro domingo da Quaresma é muito clara em nos direcionar para o objetivo deste tempo: conversão! Se ao final deste tempo não tivermos nos adiantando na nossa vida espiritual, se não tivermos aumentado nossa intimidade: de nada terá valido nossas penitências e mortificações. Não se entenda aqui uma desvalorização dos propósitos penitenciais como temos ouvido tantas vezes até mesmo dentro  da Igreja.

A penitência, a esmola e a oração são meios importantíssimos para nossa conversão, e, de forma especial, a penitência ajuda-nos profundamente a domar a nossa carne, quando aquela é feita com desejo de que este controle carnal aumente nossa intimidade com Cristo.

Então não se trata de desvalorizar os propósitos quaresmais, mas de alertar que eles precisam ter como fundamento nossa aproximação ao Senhor. E o sinal de que nossos exercícios espirituais foram frutuosos será a nossa resolução de, ao sair deste período, tal como Jesus quando saiu do deserto, anunciar a Boa Nova e convidar à conversão todas as pessoas onde quer que estejamos.

Conversão também é abraçar a aliança que Deus nos propõe. É a decisão por voltarmo-nos à busca de Deus por nós. Eis algo espetacular: Deus nos busca. Deus vem ao nosso encontro e realiza uma aliança conosco, vemos isso em Noé. O Senhor faz uma aliança que é verdadeira com o gênero humano na pessoa do patriarca e de sua família, mas ao mesmo tempo esta é figura da aliança definitiva que o Pai realizará conosco por meio do Seu Filho.

Tal realidade ensina-nos o apóstolo S. Pedro quando diz que temos na aliança de Deus com Noé uma prefiguração do Batismo que hoje é a nossa salvação. Em Noé as águas enviadas por Deus dos céus lavam a terra da malícia que reinava entre os homens. Em Cristo a água que jorra do Seu lado aberto lava-nos do pecado original, reabrindo-nos as portas do paraíso, uma vez que somos incorporados à Igreja.

Algo importante é dito por S. Pedro: “À arca corresponde o batismo, que hoje é a vossa salvação. Pois o batismo não serve para limpar o corpo da imundície, mas é um pedido a Deus para obter uma boa consciência”(IPe 3, 21). O Batismo, maravilhosamente, nos apaga a culpa original, nos faz filhos de Deus, mas não reestabelece a inocência original. As consequências – a imundície, como diz o Apóstolo – permanece em nós: a concupiscência , a inclinação para o mal que deverão ser combatidas durante toda nossa existência. E neste ponto voltamos ao início desta reflexão, voltamos à necessidade de conversão e, consequentemente de exercícios espirituais que nos façam abraçar cada vez mais a aliança, a Nova e Eterna Aliança que Deus nos oferece em Cristo, na medida que combatemos as consequências da culpa de nossos primeiros pais.

A Igreja orienta que o Batismo seja ministrado nas crianças para que a vida na graça possa crescer ao mesmo tempo em que se cresce como pessoa; sabemos que por inúmeros motivos desviamo-nos e não crescemos em graça tal como em estatura. Portanto, usemos este tempo quaresmal, para retomar nossa caminhada para a bem-aventurança eterna, para alcançarmos o prêmio que Deus deseja nos dar em Cristo: vivermos para sempre com Ele.

Por Wellington Vieira

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Série – Os Sacramentos – Batismo

 

Primeira Leitura (Gn 9,8-15)
Responsório  (Sl 24)
Segunda Leitura (1Pd 3,18-22)
Evangelho (Mc 1,12-15)

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