Terceira semana da Quaresma – Sábado

PILATOS ESFORÇA-SE POR SALVAR A JESUS DO FUROR DOS JUDEUS

I. PREL.: – Imaginemos ver Pilatos a falar à multidão, a favor de Jesus.

II. PREL. : – Peçamos a graça de perseverar até ao fim no caminho da virtude e na vocação.

 

I. Ponto: – Pilatos disse-lhes: Então que hei de fazer de Jesus, que se chama Cristo? Responderam todos: Crucifica-o! Crucifica-o! (Mat., XXVII, 22-23).

 

CONSIDERAÇÕES: – Quanto mais Pilatos se empenha em arrancar Jesus das mãos dos seus inimigos, mais encarniçados se mostram estes em perdê-lo. Uma reflexão se apresenta aqui, não menos penosa do que surpreendente: das três classes de pessoas que intervêm neste processo de morte: Pilatos, o povo e os sacerdotes, estes últimos são evidentemente os mais culpados. São eles que, movidos pela mais baixa inveja, suscitam e introduzem o processo; são eles que excitam e seduzem o povo; eles quem impele até ao último extremo o Presidente, com gritos raivosos e intimidações, que põem na boca da multidão. Que aberração de idéias e de coisas! Pela santidade de seu estado, pelas luzes e graças mais abundantes que tinham recebido, deviam eles ser modelo do povo e foram, afinal, o seu escândalo!

APLICAÇÕES: – Esta triste reflexão recorda mais uma vez a verdade dum axioma comprovado pela experiência dos séculos: Corruptio optimi péssima. A corrupção do melhor é o pior; axioma infelizmente verificado, ainda em nossos dias, pelo procedimento revoltante dalguns sacerdotes ou religiosos que se tornaram infiéis ou apóstatas, para não falar da impiedade muitas vezes afetada de pessoas antes piedosas, alegria e exemplo do povo cristão. Dir-se-ia que querem distrair-se para abafar o grito da consciência, ou apagar, por um batismo de impiedade o selo dos eleitos, impresso no Sacramento da regeneração, na ordenação sacerdotal ou na profissão religiosa. Ai! Diz o autor da < Imitação >: < vi os que antes se nutriam deliciosamente com o pão dos anjos, deleitarem-se depois com a comida dos animais imundos! >

AFETOS: – Peçamos a Jesus que nos preserve do abuso das graças da nossa vocação ou estado, de decair, pouco e pouco, da dignidade de cristão ou de perder a estima e espírito do estado religioso, indo, pelas nossas infidelidades, engrossar o número dos infelizes que perdendo a deus, tudo perderam.

PROPÓSITOS: – Protestemos frequentemente diante de Deus que queremos redobrar de fervor e generosidade no seu serviço e perder tudo, contanto que salvemos a vocação.

FONTE: MEDITAÇÕES PRÁTICAS PARA TODOS OS DIAS DO ANO SOBRE A VIDA E DOUTRINA DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO,
P. BRUNO VERCRUYSSE, S.J.
LIVRARIA APOSTOLADO DA IMPRENSA, 1950
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