Sortudo

Ahh o feed de notícias das redes sociais… fonte inesgotável de risadas e tretas. Ao entrar nas redes sociais é preciso saber que encontraremos, pelo menos, a futilidade que as relações atuais nos garantem. Teorias conspiratórias e “verdades” que pareciam estar escondidas, esperando uma “mente brilhante” revelar é o que mais se encontra. Todos têm as verdades cósmicas em 140 caracteres que não ficam 2 minutos em pé diante de uma franca análise lógica.

Dia desses entrei em uma rede social e tinha uma imagem, com milhares de compartilhamentos, que dizia algo mais ou menos assim: “Então, de todas os Deuses, quem te disse que o seu é o verdadeiro”.

Fora os comentários sarcásticos e jocosos como o “como vocês são sortudos”, aos quais desvio com a felicidade de quem sabe para onde vai, percebi algo realmente curioso: de fato, as pessoas acham isso um argumento válido, verossímil, pelo menos. Afirmo que de correto, só a gramática daquela sentença se sustenta. Calma lá. Não é uma “verdade de fé”, mas de argumentos e fatos.

Primeiramente devemos analisar como surgem as religiões (crença em deuses, por consequência). Tomemos aqui uma explicação bem rasa e rápida. O objetivo aqui não é explicar a gênese de todas as religiões a fundo. Em regra geral, as religiões nascem baseadas em mitos e/ou mitologias, que buscam explicar questões básicas ao conhecimento humano. Como por exemplo: De onde viemos? Para onde vamos? Por que existimos? O que são os fenômenos naturais? Simplificando: Para cada povo, há uma explicação.

Por exemplo: Por que os trovões acontecem? O trovão é criado por Tupã para a mitologia indígena brasileira, por Zeus na mitologia grega e por Thor na mitologia nórdica. Assim podemos falar sobre morte, colheita, nascimento, morte entre outros assuntos em diversas culturas e momentos históricos, explicando ou não esses fatos. Até aqui não tomo a validade científica ou religiosa desses mitos, mas parto do pressuposto que essas civilizações buscavam respostas no desconhecido para que entender o universo.

Assim, a religião nasce como um conjunto de regras, ritos, costumes, baseado nesses mitos. Para satisfazer Tupã, há um conjunto de afazeres, para satisfazer Zeus outros, que são diferentes para Thor. Isso levando-se em consideração cada mitologia.

Dos milhares – isso mesmo milhares – de deuses e crenças existentes, então você cristão – o diferentão – é o único que serve ao Deus verdadeiro? a resposta é um singelo “sim’.

Para chegarmos nesta conclusão, devemos analisar de forma racional também as doutrinas dessas religiões. Proponho um filtro, uma seleção, separando as crenças conforme a sua profundidade, características e fatos.

Neste primeiro passo, devemos ter em mente todas as milhares de religiões e crenças existentes, dos 4 cantos do mundo, independente de mitologia, período histórico e influência, e fazer a seguinte distinção: Qual delas possuem Deuses criadores? Esta primeira seleção é fundamental, pois, para que cheguemos a uma divindade real, ela deve ser a regente de, pelo menos, sua própria criação. O resultado desta seleção ainda é de milhares de religiões ou crenças, mas já deixamos pelo caminho diversas crenças que se ocupam da explicação do mundo físico sem identificar suas origens ou seus pressupostos.

Após esta primeira análise, passamos a frente com mais um critério de seleção. Destas milhares de religiões que ainda se mantém no páreo, devemos perguntar: E quantas destas possui um Deus revelado? Este critério seleciona as religiões onde há uma manifestação divina, revelada, e não criada. Um Deus que “é o que é” e revela-se à suas criaturas é sinal de existência e diálogo entre o criador e criatura. Um Deus “estático”, que existe apenas na cabeça do indivíduo que o adora é, por definição, irreal. Agora sim temos uma redução substancial.

Avançando na nossa rápida análise, precisamos ainda continuar filtrando essas religiões, a fim de encontrar a religião dos “sortudos”. Então, para as religiões que sobram desse filtro, é necessário perguntar: em quais destas religiões, o Deus criador e revelado se manifesta? A manifestação de Deus é um critério importante de avaliação e filtro, pois validam a verdade por ele revelada, com profecias por exemplo. Nem todas as religiões avançam para esta fase, limitando-se apenas à um deus que explicar os fenômenos da natureza, como na Mitologia Grega (que já ficou para trás no filtro, pois não possui um Deus criador do mundo. Segundo ela o homem foi criado pelo Titã Prometeu e a natureza criada e organizada por uma entidade “desconhecida”).

Mesmo que até o filtro anterior a ideia de um Deus criador e manifesto possa ser validada – de maneira factual ou relativizadora – por outras crenças fora o cristianismo, é necessário fazer ainda um último filtro. É necessário perguntar: qual destas religiões possui um Deus criador, revelado, manifesto e materializado. O verbo encarnado, profetizado, revelado e manifestado se fez presente na história humana, tão real e palpável quanto eu e você. Não é apenas a existência ou a promessa de uma vinda, como em alguma religiões. Falamos aqui de uma promessa revelada e cumprida, “o verbo se fez carne e habitou entre nós” (João 1, 14).

Sendo assim, o Deus Verdadeiro deve ser o Criador do mundo e das coisas, ser revelado e manifestado para as suas criaturas e habitar com a sua criação. Essas características não podem ser aplicadas a todos os deuses que, ou não são criadores do mundo ou não são revelado e tampouco manifestados. O Deus Verdadeiro Cristão, além de criar o mundo e as coisas, ser revelado, manifestado e habitar com a sua criação encarnou-se para que com a sua morte – e morte de cruz – ela pudesse ter um “para onde vamos”.

Que sortudo que somos, realmente.

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