O Pensamento Revolucionário – e Herético – dentro da Igreja

“Eu até sou católico, mas não entendo porque a Igreja não ordena mulheres para o sacerdócio” brada o católico light nas redes sociais.

Você pode não perceber, mas a frase acima está repleta de pensamento revolucionário. Você pode não enxergar, mas está lá sim. Existe um largo vão entre A Verdade e a visão do fiel que observa a Igreja pelos olhos do pensamento revolucionário. Mas ora! O que há de errado com a frase inicial? Será mesmo que a Igreja não deveria rever seus conceitos em relação à ordenação de mulheres? Afinal os “tempos são outros”, os sexos são iguais, etc etc etc!?

Para entendermos o pensamento oculto na frase inicial é preciso entender o pensamento revolucionário e o mais importante: como ele nos afasta de Cristo.

Mas o que é o pensamento revolucionário?

O pensamento revolucionário vem de uma visão Marxista – e suas variações de visão política – que se alastra pela forma como as pessoas enxergam a realidade. Para as pessoas que enxergam a realidade por essa perspectiva, todas as análises das situações cotidianas, estratégicas, política e – principalmente – religiosas estão calcadas no materialismo e na noção histórica da revolução (evolução). O indivíduo acometido por esta síndrome não reconhece a realidade posta diante de seus olhos e tende a avaliar todos os atos baseado no materialismo – ter, possuir ou não ter, não possuir – como a fonte de todos os problemas terrestres ou na manifestação histórica de progresso para um futuro perfeito, que “os conservadores impedem de chegar”.

Ao se ocuparem exclusivamente da busca por “justiçamento” eles muitas vezes cegam-se para as realidades espirituais e acabam caindo em um contexto de luta de classes, gerando divisões, separações e até mesmo mais exclusão. Quem nunca ouviu um “ah, bem que o Papa poderia vender aquela banheira de ouro (??) para dar aos pobres”. Quanto amor aos pobres não é verdade?! Assim como Judas queria vender o vaso de alabastro para dar de esmola (Mateus 26: 6-13). Não estou dizendo que o socorro material não é importante. A Igreja possui milhares de hospitais, orfanatos e escolas pelo mundo, mas o socorro material não pode ser visto como um fim em si mesmo. O Ser Humano é composto por realidades físicas e metafísicas. Negar uma em detrimento a outra é, não só contra a natureza humana, mas também contra a razão.

A noção histórica da revolução – ou evolução histórica – também é uma característica marcante das pessoas que enxergam o mundo pela visão revolucionária. Essa “evolução” possui 3 aspectos bem marcantes: A inversão da percepção do tempo; A inversão da percepção moral e a inversão do sujeito, estando intimamente ligadas.

Para uma pessoa normal o futuro há de vir, não se sabe como será. Para uma pessoa com o pensamento revolucionário a marcha da história tem um começo, meio e fim. Um futuro utópico que vai acontecer com certeza. O futuro só pode ser um – o que ele imagina, é claro! – e ele trabalha hoje para a construção deste futuro, mesmo que para isso ele tenha que mudar o passado (Sim! Os professores de história estão aí sendo formado em universidades aparelhadas ideologicamente para isso mesmo, ou você acha que o que aconteceu com a história da inquisição e das cruzadas foi coincidência??). Frase clássica de católico light neste aspecto: “Essa liturgia deve ser atualizada, os tempos são outros” ou “Eu até vou para a Igreja, mas ela matou muita gente na Inquisição” [abordaremos esse tema no futuro].

A inversão da moral é outra característica de quem possui esse pensamento revolucionário. Sendo o futuro certo e, portanto, uma questão de tempo (evolução), todos os fins para chegar nesse futuro são válidos. Não há no presente nada que possa impedir, nem as leis, nem a moral, tudo é flexível para alcançar esse futuro. E lá, nesse futuro, tudo terá valido a pena e não haverá nenhum tipo de punição, porque, no futuro isso será normal. Um pouco confuso? Então vamos a um exemplo prático: O ativismo judicial no Brasil pela liberação do aborto. Como por vias legislativas é demorado e quase impossível – pois teria que ir a inúmeras votações, comissões, pressão popular etc – busca-se validar o aborto pelo Poder Judiciário. Não importa que hoje seja ilegal e imoral esta pauta. Os revolucionários pensam “vamos aprovar o aborto logo e depois esses antiquados se acostumam”. O revolucionário sempre se achará um vanguardista. Você não pode entendê-lo, ele está sempre a frente ao seu tempo. Na mente revolucionária ele só está sendo um “instrumento do futuro”. Frase clássica de católico light: ”Sou católico, mas acredito no direito da mulher em abortar, melhor que fazer escondido”.

Outra característica das pessoas que possuem um pensamento revolucionário é a inversão do sujeito. Como para elas o futuro é inevitável e os fins justificam os meios, as pessoas que morrem tentando evitar o futuro morrem por sua própria culpa. Ou seja, as vítimas são as culpadas. Como se apenas ele e o seu grupo estivessem a procuração para reclamar em nome do “povo” ou proclamar a “verdade futura”. Frase clássica de católico light: “Os habitantes não podem reclamar do Presidente X, ele foi eleito a população da tem que se conformar”.

 

Mas como esse pensamento nos afasta de Cristo?

De diversos modos. A perspectiva histórica de que o mundo caminha para um futuro onde o homem, Senhor de si, não precisará de Deus para indicar os caminhos do amor é, por si só, heresia, pois, “quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor.” (1 João 4:8). Como ir em direção ao Bem Supremo ignorando o caminho que o próprio Bem Supremo indica?

Quem se pauta pela inovação como desculpa para cometer atos que remodelam a verdade da salvação se volta contra a própria finalidade de Igreja “que recebeu dos Apóstolos o solene mandamento de Cristo de anunciar a verdade da salvação” (§2032).

“Ah, mas então a Igreja não deve se atualizar?” Mas ela se atualiza e se renova todos os dias, mas jamais perde sua função que é a salvação das almas. Abraçar o erro para agradar o mundo não faz parte da finalidade de Igreja.

A flexibilização da percepção moral deforma o olhar racional do homem sobre as situações cotidianas, nos conduzindo a uma espiral de erros, blasfêmias e heresias. Como apoiar livremente o aborto como um “direito fundamental da mulher” negando o direito fundamental de outra pessoa humana (de nascer!).

Outra forma de sermos afastados de Cristo é a relativização das família. Como a evolução do tempo o conceito de família deve evoluir? Mesmo que a sua finalidade (geração e educação reta dos filhos) não tenha sido alterada? Ou seja, uma família não é apenas a união de um homem e uma mulher, mas a união de um homem e uma mulher, criados um para o outro, na perspectiva da geração de outras vidas como compromisso sacramental indissolúvel. Para os que possuem o pensamento revolucionário a família é a união consensual de duas pessoas (ou espécies, se eles se “amam” porque não?) e quem defende a “família tradicional” está lutando contra a evolução do tempo (ou seja, é a inversão do sujeito).

Assim, mesmo sentando todos os domingos na Igreja, as pessoas que na sua rotina refletem o pensamento revolucionário seguem professando – na prática – o comunismo ateu.

Existem diversos textos na tradição da Igreja como a Encíclica Divinis Redemptoris, a Parte III da Encíclica Quadragesimo Anno ou a carta apostólica Dum maerenti animo (A Igreja perseguida na Europa do Leste) que condenam o comunismo ateu e explicam os males desta ideologia e o quanto ela é contrária à fé cristã. O Santo Ofício chegou a publicar em certa ocasião respostas de questões levantadas sobre o tema:

Decretum S. Offici, sous Pie XII, 1949 [Decreto do Santo Ofício, por Pio XII, 1949]

 

Questão 1: É permitido aderir ao partido comunista ou favorecê-lo de alguma maneira?

Resposta: Não; o comunismo é de fato materialista e anticristão; embora declarem às vezes em palavras que não atacam a religião, os comunistas demonstram de fato, quer pela doutrina, quer pelas ações, que são hostis a Deus, à verdadeira religião e à Igreja de Cristo.

 

Questão 2: É permitido publicar, divulgar ou ler livros, revistas, jornais ou tratados que sustentam a doutrina e ação dos comunistas ou escrever neles?

Resposta: Não, pois são proibidos pelo próprio direito [cf. CIC, cân. 1399 [1917]

Questão 3: Fiéis cristãos que consciente e livremente fizerem o que está em 1 e 2, podem ser admitidos aos sacramentos?

Resposta: Não, segundo os princípios ordinários determinando a recusa dos sacramentos àqueles que não têm a disposição requerida.

 

Questão 4: Fiéis cristãos que professam a doutrina materialista e anticristã do comunismo, e, sobretudo os que a defendem ou propagam, incorrem pelo próprio fato, como apóstatas da fé católica, na excomunhão reservada de modo especial à Sé Apostólica?

Resposta: Sim

 

Resp (cfirm a S. P’ce 30 juin) [Respostas (confirmadas pelo Sumo Pontífice em 30 de junho)]

Aos que persistem na profissão destas ideologias – de vontade própria – está garantida a excomunhão latae sententiae, ou seja, automática, como previsto no Código de Direito Canônico Cân.1364 § 1 “o apóstata da fé, o herege e o cismático incorrem em excomunhão latae sententiae”.

Esta reflexão é importante para que sejamos capazes de enxergar como ideologias heréticas muitas vezes ditam o debate entre os leigos, principalmente nas redes sociais. Espera-se da postura de um Cristão consciente a observância dos três pilares da religião católica (a Sagrada Escritura; a Sagrada Tradição e o Sagrado Magistério), para que não caiamos nos erros do relativismo (“só o mandamento me basta”), nos argumentos de “direito adquirido pela evolução da sociedade”, ou na “social democracia” como uma espécie de comunismo bonzinho e que funciona. Devemos parar de andar na mesma estrada de quem prega o fim da ilusão moralista católica e só há uma forma de fazer isso: convertendo-nos verdadeiramente.

Deixem essas ideologias para quem não conhece a Verdade de Cristo. Ore e anuncie o evangelho à eles. A quem já se diz convertidos corrija fraternalmente, denuncie o erro se preciso e assuma a sua responsabilidade para que sigam o reto caminho do bem e que um dia, por fim, possamos estar todos diante do Bem Supremo. Não se esconda em um relativismo moral culpando o livre-arbítrio.

“Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro. (Mateus 6:24)

 

Ajude-nos a Evangelizar. Compartilhe este post:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *