Aborto: você está discutindo isso errado

Não há o que discutir sobre o aborto amplo, legal e irrestrito. É algo bestial e que em nenhuma hipótese pode ser considerado normal, aceitável ou Cristão. A palavra de Deus condena a prática do assassinato (quinto mandamento) e isso vale também para o embrião “Não matarás o inocente e o justo, porque não absolverei o culpado” (Êxodo 23: 7). Além disso, o catecismo da Igreja Católica trata da dignidade da vida humana (§2258) amplamente e especialmente sobre o aborto entre os itens §2270 a §2275. O objetivo desta reflexão não é se aprofundar nesta argumentação. Caso você tenha necessidade de, também, se aprofundar na história do aborto, sugiro o texto A Conspiração Abortista como uma forma de introdução ao tema.

Nesta reflexão não vou abordar os pontos clássicos de defesa da vida, sua dignidade etc. Se até o momento isso já não estiver fundamentado em você é preciso que você reveja urgentemente a sua conversão. Agora é preciso entender como estamos debatendo o tema.

Mas antes precisamos entender o que é o aborto. Em linhas gerais, o aborto é a interrupção da gravidez antes que o feto tenha condições de sobreviver fora do útero materno. Essa interrupção pode – e não se entenda deve – acontecer de duas formas: involuntária ou voluntariamente. Quando o corpo da mulher identifica alguma falha na concepção ou ocorre algo fora do esperado no processo de gravidez, o próprio corpo, espontaneamente, expele o feto. É um processo extremamente triste e doloroso, mas natural. Quando o aborto é induzido voluntariamente ele, automaticamente, perde essa condição de naturalidade.

Então, nunca discuta contra o aborto, mas sim contra a Interrupção Voluntária da Gravidez. É fundamental que o debate contra o “aborto” seja nominado como é, interrupção voluntária da gravidez. A primeira briga que temos que ter é no campo linguístico. A nominação de algo bestial  em uma forma mais branda serve apenas para deixar o ato mais palatável. Isso dilui a gravidade do ato, confundindo o aborto natural com um procedimento clínico. O termo aborto passa a ser usado tanto para a prática natural quanto para a vontade deliberada de matar o próprio filho. Então na hora de debater contra o tema chame do jeito que é, interrupção voluntária da gravidez.

Outro argumento bastante usado é o do meu corpo, minhas regras. Acontece que a interrupção voluntária da gravidez não se aplica ao seu corpo ou sua vida, mas a vida do embrião, portanto a um corpo que não é o da mãe. Mas o que é o corpo? São seus braços, cabelo, cabeça, nariz, tudo aquilo que nasceu com você. Um embrião que nem sempre esteve fecundado e não ficará para sempre com a mulher, não pode ser considerado parte integrante dela. Sendo assim, as mulheres que não tiveram filhos morreram incompletas? E ainda mais, que médico em sã consciência amputaria um braço perfeitamente sadio por vontade do paciente? Então na hora de debater contra o tema deixe claro os males que o corpo do embrião sofrerá. Será mutilado e cortado em pedaços ou espremido para a curetagem.

O feto é um amontoado de células até o 3º mês, também é um argumento bem interessante e que é muito explorado pelos amontoados de células, digo, pessoas que defendem a interrupção voluntária da gravidez. É uma retórica que tenta tirar a condição humana do feto. Argumentando assim, não parece assassinato, é como se não houvesse vida, mesmo sabendo que a vida começa na concepção. Se o feto é um amontoado de células até o terceiro mês, como pode ser no quarto mês um ser humano? Será que a humanidade é outorgada após o terceiro mês e aí ele vira um ser humano ou ele vira um ser humano depois do terceiro mês porque ele sempre foi um ser humano? Pode um feto humano virar uma Jaguatirica no ventre da mulher depois do terceiro mês? Não, porque ele sempre foi humano! No feto reside o potencial humano desde sua concepção, e não após a 12 semana de gestação. Então na hora de debater contra o tema não se afaste da humanidade do feto.

E o “aborto paterno”? Esse é um dos argumentos mais ilógico de todos. Temos aqui mais uma inversão no campo linguístico. O que é aborto paterno?? Por um acaso o homem corta em pedaços seu filho, espreme ou picota o seu crânio para fazer a curetagem? “Ah!, mas o pai não vai ajudar a criar”, mas o que isso tem a ver com lhe negar a vida?? Quando um pai não assume a sua paternidade isso não significa a morte do seu filho. Então por qual motivo chamar o abandono paterno por esse nome? Simples, para igualar semanticamente o ato de “abortar” entre homens e mulheres e conceder a elas o “direito” de encerrar uma vida. Para as pessoas que sustentam essa anomalia linguística se o debate for pautado como Interrupção Voluntária da Gravidez esse sentido se esvazia. Falta proporcionalidade. O abandono paterno é fruto de uma sociedade doente, que acha que se curará dando a mulher o “direito” de fazer algo muito pior: matar o seu próprio filho. Então na hora de debater não esqueça, aborto paterno não existe e é totalmente ilógico.

Estes são exemplos de como o assunto é pautado entre as pessoas que sustentam essas falácias. Eles ainda dizem fazer isso pelo bem das mulheres… Ora, você acha mesmo que a liberação da interrupção voluntária da gravidez é para o bem das mulheres? Existem diversos fatores financeiros e ideológicos que sustentam a “bondade por trás destas almas piedosas que lutam por esse direito”. Estes motivos vão desde de a destruição da família – o sonho dos marxistas – à venda de partes humanas dos fetos  ou para simplesmente gerar eletricidadetudo isso pela sanha de legitimar uma cultura de morte. As pessoas que possuem a mentalidade revolucionária estão imbuídas nesta finalidade – enganadas ou conscientemente – usando diversos motivos para justificar o assassinato de bebês inocentes e indefesos. Passa longe de qualquer um deles o bem real das mulheres. Se preciso for mudar a estratégia, assim farão.

Não te parece estranho que as mesma pessoas que dizem que os casais gays devem adotar as crianças nos orfanatos são as mesmas que defendem que as crianças morram antes mesmo de chegar aos orfanatos para serem adotadas?

Estamos discutindo de maneira errada sobre a interrupção voluntária da gravidez a partir do momento em que usamos o vocabulário das pessoas que possuem o pensamento revolucionário. Não devemos aceitar o uso de termos que suavizam o fato do assassinato de um feto, relativizam a sua humanidade ou tentam assegurar um “direito” baseado em uma injustiça. Ao aceitarmos debater usando a linguagem do “adversário” já estamos enfraquecendo o nosso próprio ponto de vista, dando contornos suaves à barbárie, que não é algo natural, mas sim deliberadamente voluntário. Ao poucos vamos usando a sua linguagem, depois a sua lógica e por fim, o seu modo de viver.

 

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