“A Bíblia está desatualizada…”

Semana passada o ator e “humorista” Paulo Gustavo declarou que se Jesus estivesse vivo, de carne e osso, estaria em um show do Pabllo Vittar.

Se há uma máxima que não falha é: quem mais vai querer te ensinar sobre religião é quem menos entende.

Mas uma das coisas que mais me impressiona nesta retórica é de como algumas pessoas usam preceitos aleatórios em uma tentativa de cercear as ações de alguém e depois reclamar que a religião é que limita as pessoas. Quem nunca ouviu um “Ué, mas você não é católico? Então não deveria fazer isso, aquilo e aquilo outro?” Na verdade essas pessoas não falam isso para te colocar no caminho da Virtude, como uma correção fraterna, mas sim como uma forma argumentativa falaciosa. O ateu sabe até o versículo da Bíblia quando quer argumentar contra um cristão.

A afirmação de Paulo Gustavo vai nestes moldes.

Primeiro que Jesus não estaria entre nós. Ele está, vivo e presente na eucaristia e na sua Igreja, tocando a cada um de nós, todos os dias, ajudando a nos fortalecer em um mundo onde o mal pensa reinar. E vive na hóstia, na Igreja, na sucessão apostólica e em cada membro de Sua Igreja. Ao afirmar isso, ele imagina que, estando Jesus reunido em um só corpo físico Ele usaria um discurso politicamente correto de “a tolerância, o amor ao próximo” que na verdade revela um Jesus mais parecido com Pilatos – lavando as mãos para os pecados – que anunciando o reino dos céus.

A Igreja não prega uma coisa e Jesus outra.

Jesus está vivo e esse respeito ao próximo já é ensinado pela sua Igreja em seu Catecismo (§2358) quando ensina que os homossexuais “devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á, em relação a eles, qualquer sinal de discriminação injusta. Estas pessoas são chamadas a realizar na sua vida a vontade de Deus e, se forem cristãs, a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar devido à sua condição.” Isso é diferente de um discurso que talvez Paulo Gustavo estivesse esperando: o de bater palmas para alguém enquanto sua alma é perdida.

Segundo porque Jesus ama a pessoa – o pecador – e não o pecado por ele cometido. Mateus era cobrador de impostos. Jesus nunca se sentou na mesa para admirar as moedas ou se inteirar com Mateus sobre sua rotina de cobrador de impostos, para onde ia o dinheiro recolhido, a frequência de retiradas etc… Pedro era pescador e Jesus nunca subiu na barca para tomar lições de pesca de arrasto, movimentos das marés ou como remendar uma rede de pesca. Maria Madalena era prostituta, entretanto Jesus nunca foi à lugares por ela freqüentado… O ato do pecado deve ser detestado e não visto como algo que defina alguém. Quando Jesus encontra a mulher adúltera, não a condena e diz “vai-te e não peques mais” (João, 8, 11). Ele não se atém ao pecado, mas ao perdão à pessoa. O “não peques mais” é o muda de vida, abandone as práticas que te destroem. Jesus não disse “vá, continue, o importante é ser feliz da maneira como você é”.

Outro ponto que deve ser refletido é que nenhum dos personagens bíblicos citados acima (ou qualquer outro) ficou em suas atividades após conhecerem Jesus. Todos abandonam tudo para segui-Lo ou para manter-se fiéis à Sua palavra. Eram conhecidos como “ex” alguma coisa. Do “ex-cobrador de impostos” à “ex-perseguidor dos cristãos”, como Paulo. Achar que Jesus abandonaria seu caminho de Salvação para ver Mateus cobrar impostos é, no mínimo, ridículo e infantil.

O problema de afirmações como estas é que confundem o pensamento de uma população que, com baixa instrução intelectual e religiosa, tende a acreditar em esparrelas vazias como essa.

É preciso vigiar e saber discernir o que é correção fraterna e o que é malabarismo ideológico, para que não corramos o risco e misturar coisas que são distintas e de tratar como Santo o que não vem de Deus. A pessoa de Cristo – e Sua Igreja por consequência – sempre estará disposta a acolher o pecador arrependido, seja lá de onde vem e o que faça, desde que seu arrependimento seja sincero e que o leve a um propósito de mudança de vida. Em verdade, malabarismos ideológicos como esse não fazem questão de mostrar inconsistências ou desvios no proceder da Igreja, mas de tentar incorporar legitimidade no erro. “Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” (Mt 22, 21).

 

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